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Banda de uma pessoa só: ouça o segundo registro da monobanda Bloody Mary Una Chica Band

Lançado em 2016 pelos selos Mandinga Records (GO), Hérnia de Discos (SP), Mon Cul (França) e com colaboração da banda La Fraction (França), o álbum “Heart Disease” é o segundo registro da monobanda Bloody Mary Una Chica Band, um dos muitos projetos da guitarrista/baterista/vocalista paulistana Marianne Crestani.

Não há muito como falar desse disco sem falar do formato monobanda (one-man/woman band) ou “banda de uma pessoa só”. O conceito, que tem origem na Idade Média, consiste em um(a) musicista que toca simultaneamente diferentes instrumentos e canta. Quando em contato com gêneros musicais como o rock (e seus mais diferentes subgêneros) permaneceu sempre circunscrito às cenas underground ao redor do mundo.

Se a participação feminina nesse formato de banda no rock não é abundante, é bastante intensa, contando com nomes de peso como Margaret Doll Rod (ex-vocalista/letrista/guitarrista da banda Demolition Doll Rods) – que parece ser a influência mais decisiva nos vocais agressivos da Bloody Mary – e Kerry Davis (Two Tears), ex-integrante da Red Auntinfluente banda punk feminina dos anos 90.

Muitxs artistas de rock que tocam em one-man/woman bands bebem na fonte do blues. Essa também foi a porta de entrada para Mari no mundo das monobandas. O primeiro artistas que ouviu foi John Lee Hooker e ela é declaradamente fã de Jessie Mae Hemphill e outrxs artistas do “Mississipi Hill Country Blues”. No entanto, o som é um garage punk na mesma linha da banda The Cramps. O álbum Fiends of Dope Island, de 2002, é a referência para descrever as músicas da Bloody Mary.

Heart Disease é um compacto 7” com 4 músicas que convidam a dançar. Com um set composto de guitarra, bumbo, duas máquinas de chimbal e voz, Bloody Mary una chica band apresenta riffs viciantes e o bumbo parece determinar quando nossa cabeça vai chacoalhar enquanto escutamos. É assim com as três primeiras músicas: “Take me”, “How Long” e “Sugar”, que apresenta o vocal mais singelo do disco. “Trouble Mind”, que fecha o compacto, é bastante sombria, as guitarras são bagunçadas (no ótimo sentido), com se quisessem reproduzir no som o título da música.

Esgotado no formato físico, o álbum pode ser ouvido em diversas plataformas digitais como  Bandcamp e Soundcloud. Vale a pena.

 

Bandcamp:

https://bloodymaryunachicaband.bandcamp.com/

Facebook:

https://www.facebook.com/pg/BloodyMaryUnaChicaBand/about/?ref=page_internal

Soundclound: https://soundcloud.com/sistermaritrash/sets/bloodymaryunachicaband-heart-disease

 

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Escrito por

Josie Lucas é mestre em Literatura Brasileira pela USP e professora da rede pública estadual de São Paulo. Na adolescência gastava todos os seus centavos em revistinhas para aprender violão e escrevia sobre música em fanzines. Nunca fez aulas de guitarra, mas aprendeu o suficiente para tocar em bandas hardcore/punk feministas como Cosmogonia, Sündae e Dominatrix. Atualmente toca com as amigas nas bandas Nise e George Sand.

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