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Mariana Degani e sua multiarte que transformou uma kombi amarela em estúdio

Mariana é uma artista em todos os sentidos. Formada em Moda, já trabalhou como estilista, produtora, com cenário, com ilustração no duo Pupillas, “pintei muitas paredes pequenas e enormes por aí. Gosto de pensar no todo, criar universos pra cada projeto”, diz ela.

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Sua conexão com a arte está intrínseca a sua existência, ela nos conta que “pessoalmente, a criação visual tem a ver quase que com uma necessidade existencial que tento manter como ofício.  Aí talvez seja o ascendente em gêmeos, que me faz interessar por várias coisas”, e completa “A arte tem muitos papeis, mas acho que, principalmente ela propõe conexões entre nós (não só artistas, mas também a quem é tocado por essa arte) e o mundo. Cria pontes para além do ‘real’”.

Da moda pra artes visuais, das artes visuais pra música. Mariana sempre gostou de cantar, fazia despretensiosamente, em rodas de samba entre amigas e amigos. O convite oficial veio através de Remi que a chamou pra fazer algumas trilhas “e assim fiquei cara a cara com um microfone pela primeira vez num estúdio”. Formaram a banda Loungetude46 junto com mais dois amigos, em 2007. Gravaram 2 discos e excursionaram pela Europa e Brasil. “Foi ali que transformei o medo/nervoso/angústia em cantar e estar sob o foco de uma plateia em prazer”. Com a pausa da banda, em 2013, Degani começou a pensar um projeto onde poderia mesclar: música, ilustração, figurino, cenário.

“Foi ali que transformei o medo/nervoso/angústia em cantar e estar sob o foco de uma plateia em prazer” (Mariana Degani)

No primeiro semestre de 2016, ela lançou Furtacor, seu primeiro álbum, que também é um show audiovisual e tem produção musical e arranjos de Remi Chatain. A fotografia da capa é do fotógrafo carioca Jorge Bispo e o encarte é uma compilação de camadas de desenhos, fotos, tintas, bordados e texturas – o caderno da própria artista -, que também assina o projeto gráfico, as vídeo projeções e os figurinos.

No mesmo ano do lançamento do disco, Mariana e Remi transformaram uma Kombi amarela – AMARilda – em uma casa/estúdio sobre rodas. Em junho, saíram de São Paulo com 15 datas marcadas, e no decorrer da turnê, que durou 2 meses, acabaram por fazer 22 apresentações em MG, ES, BA, DF, GO e 8.000 km de estrada, que culminou com o lançamento do disco na Europa e em São Paulo, no Auditório Ibirapuera.

A Kombi é um grande palco ambulante: “Viajamos com todo o necessário para montar “o circo”. Equipo de som e vídeo projetor, além de uma grande tela branca, e adaptamos a montagem para cada lugar”, nos conta Mariana. AMARilda nasceu da vontade de terem um carro que pudessem dormir e levar seus equipamentos de som, instrumentos, tintas… “Por um lado o desejo quase infantil (mas não só) de ter uma kombi e viajar por aí. Do outro, um receio em ter uma Kombi como carro para viver em São Paulo. Até o dia que encontrei um anúncio muito imperdível. Nova, pouquíssimo rodada, por um preço de outras dos anos 90. AMARELA-GEMA!”, relembra Mariana toda animada. Adquiriram AMARilda em 2014 e reformaram aos poucos.

Esse ano, da segunda quinzena de Agosto até comecinho de Outro, Mariana caiu na estrada em turnê com AMARilda pela América Latina novamente. Passou pelas terrinhas brasileiras para um suspiro antes da turnê pela Europa que está acontecendo desde a segunda metade de Outubro até o fim do ano. Conseguimos bater um papo e eu assisti ao show no Teatro Rotina, dia 7 de Outubro. Uma apresentação impecável, emocionante, cheia de nuances e subjetividades… sua feminilidade se dá ao tom de mulher empoderada!

Ela, feminista assumida, “com muito orgulho, com muito amor sim”, expõe, em O canto as vadias, de forma muito imagética, o quanto nós (mulheres) temos que lidar com expectativas controversas todos os dias. Mas ressalta, “sinto que estamos nos fortalecendo e encarando ambientes masculinos hostis com mais coragem. Muitas vezes não vão abrir a porta quando a gente tocar a campainha ou bater da forma delicada que nos ensinaram. Então a gente tem que meter o pé. Estamos fazendo isso cada vez mais. E vamos continuar”.

Extremamente confortável em sua posição front women, Mariana nos revela que “O palco é lugar de ritual pra mim. Uma superfície sagrada onde tenho a chance de comunicar pra um público. Tem muita coisa acontecendo no Brasil e no mundo e penso que o palco é um lugar pra se falar de tudo isso, assim como também tem lugar pra falar de amor e tuiuiús. Cada vez mais penso no meu trabalho como ferramenta de transformação”. Entre amores e lutas, pergunto qual o seu segredo para o sucesso:

Fazer o que te faz sentido. É preciso muito tesão, por que não é bolinho. Faça o que é verdadeiro pra ti.

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Escrito por

Paulistana, 31 anos, riot grrrl, apaixonada por música, moda, arte e literatura. Inquieta, é estilista, arte terapeuta e cabeleireira natural. Na adolescência idealizou a Hard Grrrls e aprendeu tocar guitarra para formar a banda Sündae. Hoje, está na banda George Sand, é colunista independente da Revista AZMina e colaboradora do Mulher na Música.

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