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Com recheio no indie pop, Moxine lança novo EP e derrete corações em “Passion Pie”

A primeira vez que ouvi Moxine foi por causa de um amigo, que me mandou o link de “Marlon” comentando: “se liga nesse som, maluca”. A música era como a própria letra, pura explosão. Uma explosão de riffs e synths que eu não estava acostumada a ouvir e justamente por essa sensação nova e inesperada, me arrebatou. Meses depois descobri que um novo EP da banda estava por vir e que agora a Moxine era um duo.

Mas um duo que vale por muito: Mônica Agena e Fabiana Lugli, voz/guitarra e baixo, respectivamente. Uma base já ativa há um tempo e que em 2017 assumiu de vez como a formação fixa do projeto. “Na verdade nenhum baterista quis ficar com a gente”, diverte Mônica sobre essa fase, que também marca sua estreia na mesa de gravação.

Passion Pie (2017) ouça abaixo, o novo e mais recente trabalho da Moxine, foi também sua primeira vez como produtora. Musicista de apoio, atualmente ela integra a banda do rapper Emicida, já tendo tocado com Fernanda Takai e Natiruts. Para a guitarrista, todas essas experiências culminaram de alguma forma em seu novo mergulho musical, agora com teclas, botões, cortes, edições, volumes e por aí vai. “Eu já fui muito dirigida por outros produtores, acho que essa é a melhor maneira de aprender e encontrar a sua metodologia para produzir”, aponta Mônica. “Fora isso tem o lado psicológico, a autoconfiança, a segurança em si mesma que você deve trabalhar e acreditar que pode sim fazer aquilo”, reflete a artista sobre o processo.

Eu já fui muito dirigida por outros produtores, acho que essa é a melhor maneira de aprender e encontrar a sua metodologia para produzir

Em entrevista ao Mulher na Música, a dupla de musicistas trocou uma ideia sobre Passion Pie, a arte dita ‘feminina’, as experiências do mainstream sobre o modo de se virar no independente e novos caminhos para Moxine, entre outros. Dê o play nessa torta pop e leia o papo a seguir:


Passion Pie é mesmo uma torta musical, recheada de várias referências musicais e de produção. Qual foi o maior desafio em selecionar esses elementos todos durante a criação do EP? Quando o trabalho é auto produzido, às vezes rola aquela vontade de jogar várias coisas no balaio, mesmo tendo a noção de que muita coisa junta pode pesar também. Como criar este equilíbrio quando a produção é pessoal?

Mônica – Sim, o excesso de liberdade na auto produção tem o seu lado bom e o lado ruim, o olhar de fora sempre traz um frescor, mas a sinergia entre produtor e artista nem sempre rola. Pesando ou não na produção, isso é um fator que cada um sente e recebe de um jeito diferente. O importante é o posicionamento seguro sobre o trabalho que você está lançando, se ele te representa de uma maneira verdadeira ou não. Temos alguns nomes de produtores e produtoras com quem gostaríamos de trabalhar, quem sabe um próximo single vem com essa surpresa.

Tipo quais?
Pericles Martins (Boss in Drama), Natália Carrera, Mariá Portugal, Tim Bernardes…

Durante a apuração, li em vários lugares a Moxine como uma banda de rock. Mas, conversando certa vez com a Mônica, ela me disse que esse rótulo já não contempla tanto assim o som da dupla. Qual seria o caminho sonoro por onde melhor passeia a Moxine hoje em dia? E o que é rock atualmente para vocês?

Fabiana – O rock sempre teve um papel de contestação na sociedade, a gente se identifica com esse movimento, apesar de achar que hoje em dia o estilo está mais em uma fase de experimentação na sonoridade do que comportamental. A contracultura não é restrito apenas ao rock, outros estilos estão cumprindo esse papel, como o Funk, as cantoras do sertanejo que colocam a figura feminina no protagonismo e os artistas que rompem padrões de gênero dentro da MPB, são alguns exemplos disso. Nem sempre o Moxine soa como o que a maioria julga ser um rock, muitas músicas não tem a presença de guitarras ou letras de protesto. A estrutura das composições e melodias do Moxine remetem a um pop radiofônico, mas a estética sonora é indie, por isso gostamos de nos auto rotular como um duo indie pop.

Eu leio muito sobre questões de ‘artes femininas’ e sobre como essa concepção, que pode carregar um teor feminista e empoderador, ao mesmo tempo pode ser conduzido para algo de cunho sexista. Até porque, geralmente, quando temos um homem que é também artista, dificilmente você terá uma leitura dele como um ‘artista homem’, sendo entendido diretamente como um ‘artista’ apenas. Nesse sentido, qual a leitura da Moxine sobre essa cena nova de mulheres na música nacional, isto é, para vocês duas é um problema a possibilidade de serem tachadas de ‘artistas mulheres’ ao invés de ‘artistas’ simplesmente? Ou essa é uma discussão já superada?

Fabiana – Todos nós fomos educados em uma sociedade machista e em diversas situações temos que desconstruir expressões e pensamentos decorrentes dessa cultura. Esse lance de colocar um “aviso” de gênero é um deles, por conta disso, acho legal sempre pontuarmos, falar sobre. Ser chamada de “baixista mulher” ou “banda feminina” não tira o nosso sono, mesmo porque seguimos trabalhando para que o termo “feminino” não seja de forma alguma diminutivo. Sobre a cena nova de mulheres na música, quanto mais melhor e quanto mais espaço para magnificar esse trabalho, melhor ainda.

Pergunta para a Mônica: Passion Pie foi sua primeira produção. Como foi esse processo pra você não apenas em termos profissionais, mas também pessoal? Quando foi e como se deu esse ‘start’ de que você além de musicista, cantora e compositora poderia ser também produtora?

Mônica – Quando me dei conta, já estava fazendo. Eu já fui muito dirigida por outros produtores, acho que essa é a melhor maneira de aprender e encontrar a sua metodologia para produzir. Fora isso tem o lado psicológico, a autoconfiança, a segurança em si mesma que você deve trabalhar e acreditar que pode sim fazer aquilo.

Com todo o know how de vocês duas e dos trabalhos paralelos de cada uma, dos artistas mainstream com os quais já tocaram, o que de mais valioso vocês aprenderam e que estão sempre tentando reproduzir na cena independente?

Mônica – O pensamento empresarial: sem business não tem show. A nossa realidade e estrutura é muito diferente da maioria dos artistas com quem a gente trabalha, ao mesmo tempo, existe um fator que aproxima, que é a visão estrutural do show business. É preciso entender como as coisas funcionam, por exemplo, não é porque seus números são pequenos na internet que você não deve se preocupar ou entender como funcionam os rendimentos fonográficos e autorais.

E sobre este 2018 da Moxine, o que podemos esperar?

Fabiana – Moxine desbravando esse mundão com muito show e muita música nova!

 

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Escrito por

Formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, no momento Izabela trabalha como assessora de imprensa musical. Viciada no assunto, consome música o tempo todo, seja em discos, livros, filmes e ingressos. Muitos ingressos. Feminista e fã de Patti Smith, Izabela colabora no Mulher na Música a fim de escrever boas histórias sobre mulheres incríveis, exatamente como você e todas nós.

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