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Música de Liniker e os Caramelows vira vídeoclipe sobre o corpo da mulher negra

Mulheres do interior de SP se unem para dar vida ao vídeo clipe (não oficial) da música BoxOkê (Liniker e os Caramelows – Aeromoças e Tenistas Russas – Tássia Reis) exaltando, de maneira empoderada e divertida, as diferentes belezas de mulheres negras. O conteúdo estreia no canal Mina016. Confira em primeira mão pelo mulhernamusica:

“Fazia muito tempo que eu estava com a ideia de transformar o projeto de fotografia Woman Real Life (WRL) em vídeo. Quando ouvi pela primeira vez a BoxOkê pensei que essa era a música exata para fazer esse experimento!”, nos conta Mari Rosa, diretora e produtora audiovisual, idealizadora desse projeto que tem como objetivo a luta pela naturalização da nudez, a desconstrução do padrão estético vigente e a relação corpo-ambiente.

Ellen Faria, produtora e fotógrafa, revela: “quando a Mari me convidou pra fazer o vídeo dessa música eu ainda não a conhecia, nós ouvimos várias vezes e foi nascendo e crescendo a ideia. Liniker é uma representação de poder e voz, das minas, do gênero, dos negros. Assim como a Tássia que também participa da música. Nada mais justo e representativo que um vídeo só com mulheres negras!”

Trazer a naturalização do corpo da mulher hoje é muito importante pra nossa autonomia e equidade, visto que somos hipersexualizadas nas mídias (Sabryna)

Sabryna Murali, videomaker e malabarista, completa: “Foi muito importante participar desse clipe não só pelo meu envolvimento pessoal mas também profissional só que principalmente em razão de militância ao feminismo e reconhecendo a importância da equidades dos direitos das mulheres pretas, as mais atingidas pelo reflexo patriarcal de nossa sociedade. Trazer a naturalização do corpo da mulher hoje é muito importante pra nossa autonomia e equidade, visto que somos hipersexualizadas nas mídias, ainda hoje, principalmente as mulheres pretas.. Por isso é tão necessário despadronizar as mulheres de um modo geral dentro das categorias que nos colocaram.
É uma questão que ainda vai chão, mas entendemos como importante é compor e participar dessa revolução.”

imagem retirada do clipe

O WRL é uma experiência fotográfica muito pessoal onde é proposto que cada mulher leve para o ensaio algo que deseja libertar-se. E o vídeo não poderia ser diferente! O elenco é preenchido por mulheres reais, vivendo uma experiência única.

“Nada foi ensaiado, nada foi programado, a experiencia do projeto é exatamente essa, é de se sentir, é ter aquele momento com seu corpo e saber que ele é só seu!” (Mari Rosa, diretora)

Feita com uma equipe bem reduzida e filmado no banheiro da casa da Mari, “foi tudo construído junto, vendo as possibilidades e limites de cada mulher participante do clipe”. Podemos observar que naquele banheiro elas se despem de padrões e julgamentos, se lavam de olhares repreensivos e dançam sua liberdade, exaltando sua autenticidade e autoestima.

Sabryna relembra que “produzir um material independente dentro do mundo Audiovisual já é difícil e numa equipe 100% feminina é raridade, até porque o mundo Audiovisual é bastante ‘masculino'”, e completa “a gente que está na militância, no feminismo todos os dias, tem um papel muito importante que é esclarecer e aproximar as pessoas pra essas questões sociais de equidade de direitos em nível de gênero, num modo geral”.

a gente que está na militância, no feminismo todos os dias

Feito só por mulheres do interior de SP, a proposta é expor e valorizar os trabalhos dessas mulheres do audiovisual. “Queremos que Mina016 seja uma equipe aberta, onde várias produções e mulheres possam usufruir da marca”, diz Mari que finaliza “Espero que a partir desse vídeo a nossa união venha dar forças à outros grupos principalmente da galera do Interior, mostrando q lugar de mulher é onde ela quiser!”.

imagem retirada do clipe

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Escrito por

Paulistana, 31 anos, riot grrrl, apaixonada por música, moda, arte e literatura. Inquieta, é estilista, arte terapeuta e cabeleireira natural. Na adolescência idealizou a Hard Grrrls e aprendeu tocar guitarra para formar a banda Sündae. Hoje, está na banda George Sand, é colunista independente da Revista AZMina e colaboradora do Mulher na Música.

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