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Luise Martins, uma mulher entre os Homens de Melo

Com 10 de anos de existência, a banda Homens de Melo, formada pela baixista Luise Martins, lançou esse ano o ótimo full álbum de estréia, homônimo, e deu passos mais largos na carreira. Se uma década atrás a idéia de Luise era juntar amigos no quintal de casa para fazer música, agora ela caminha – ao lado dos integrantes Rafael Pessoto, Rodrigo Leal e Gabriel Sielawa – rumo à consolidação no mercado musical independente no país. Instrumentista e produtora musical, a artista nos contou como é, para ela, ser mulher em um meio bastante masculino.

Antes da entrevista, vale assistir ao novíssimo videoclipe da Homens de Melo. Produzido para a faixa “Sá Lei” e com direção de Larissa Vescovi, clipe e canção realçam a incerteza vivida por todos nós em momentos de decisões e abordam poeticamente a desigualdade no mundo – A maior parte parte do zero, do ponto de partida e reparte parte daquilo que nem tem (…) Enquanto a menor parte pisa, explora e ri do olhar desgraçado do homem que faz, trabalha e chega mais perto de entender de si. Mais uma mostra de que a arte se faz extremamente necessária nos tempos atuais.

Para você, ser a única integrante mulher em uma banda é, também, um ato de resistência?

Sim! A cena musical ainda é, em sua maioria, composta por homens. 

Praticamente todas as vezes que toquei com a Homens de Melo e dividimos o palco com outras bandas, essas não tinham nenhuma integrante mulher.

É uma responsabilidade estar ali, encarar uma plateia lotada e ter que representar as mulheres na música e, quem sabe, inspirar e encorajar novas mulheres a estarem ali, a terem suas bandas e expressarem sua arte. Isso é resistência.

Há 10 anos, você mesma convidou amigos pra tocar e esboçar o que seria a Homens de Melo. Esse processo se deu de maneira natural ou se deparou com muitas imposições e empecilhos?

Desde o começo da Homens tudo rolou de forma extremamente natural. Começamos como adolescentes que gostavam de música e estavam aprendendo a tocar. Conforme nossos amigos iam aos nossos ensaios e nos assistiam, rolava um ‘boca a boca’ até que fomos chamados para o nosso primeiro show na Hocus Pocus – casa de shows daqui de São José. A casa estava lotada para o show que íamos abrir e isso nos proporcionou uma visibilidade legal e, algum tempo depois, fomos convidados a tocar no SESC São José dos Campos. Naquela época não corríamos atrás das coisas como hoje e, apesar de tudo acontecer de forma natural pra gente, nosso maior empecilho foi a falta de maturidade de todos da banda.

O que você mudaria estruturalmente na cena musical independente no Brasil, se pudesse?

A Homens ainda está caminhando pra chegar nessa cena musical independente no Brasil, mas de uma forma geral – e tendo como base a cena artística que vivemos no Vale do Paraíba – abriria mais espaço para novas bandas e parcerias.

Acho que precisamos sair da bolha, das panelinhas, sermos mais unidos com um objetivo em comum: transformar vidas e levar arte onde não tem. 

Quais mulheres e ações femininas na música você tem acompanhado e admirado?

Em 2017 comecei a acompanhar, de longe mesmo, o projeto TPM (Todas Podem Mixar) da DJ Miria Alves. Ainda não tive a oportunidade de ir, mas é uma iniciativa muito bonita que visa a inclusão de mulheres na música em um segmento que também é dominado por homens, o dos DJs. Outras ações que admiro muito são o Girls Rock Camp e os selos SÊLA e PWR records. Também sou grande fã da Céu e da Luiza Lian, acho elas duas mulheres com trabalhos incríveis, o Tropix e o Oyá Tempo são CDs que não param de tocar no meu carro, inclusive faço todo mundo ouvir.

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