Lendo agora:

Exclusivo: Julia Branco desenha um mapa íntimo de liberdade em novo vídeo

Em “Meu corpo”, clipe que compõe seu vídeo-álbum lançado em cinco diferentes trechos, e com direção de cinco diferentes vídeo-artistas, a cantora e compositora mineira usa o corpo como ponta principal de expressão No dia 20 de julho, Julia Branco finaliza o primeiro de dois momentos que marcam sua estreia solo. Na data, ela lança “Soltar os cavalos”, um vídeo-álbum que, com patrocínio do programa Natura Musical, revela seis canções de seu primeiro disco, batizado com o mesmo nome do projeto audiovisual. Nele, cinco diretoras tomaram a dianteira em cinco diferentes gravações. Independentes, cada um dos vídeos foi dirigido por uma dessas artistas audiovisuais, mas contou com todas elas assumindo funções complementares.

– Se num vídeo uma delas assume a direção, a outra cuida da fotografia, outra edita, outra fica responsável pela cor. É, mais do que um trabalho em equipe, um trabalho de entrelaçamento artístico, de colaboração e confiança mútua no que cada uma pode somar. Foi uma experiência incrível no que diz respeito a criar uma rede de colaboração entre mulheres.

Assista “Meu corpo”  

Com três trechos lançados – “Coisas”, “Sou forte” / “Estrela” e “30 anos” -, ela dá vida hoje ao quarto vídeo do projeto, com exclusividade pelo Mulher na Música. Trata-se de “Meu corpo”, canção de destaque do álbum na qual Julia Branco contou com colaboração de outros três compositores:

– Tinha essa letra há algum tempo, e sentia que podia avançar com ela.  Essa foi minha primeira parceria com a Fernanda Branco Polse. Enviei esboço dessa letra com uma proposta de melodia e ela respondeu rapidamente com mudanças super especiais. A sacada “aqui dentro do meu corpo moro eu, morro eu, mando eu” veio através dela e é de uma riqueza imensa. Ela enviou ainda uma nova proposta de melodia a partir do que eu tinha enviado e eu levei a música para o estúdio. Lá surgiram algumas alterações na melodia por conta do arranjo que criamos, e com isso considero Chico (Neves) e Luiza (Brina) também autores.

A música é, para Julia, uma espécie de hino do disco. Com uma pegada íntima, a música trata do corpo como um território, mais precisamente a casa. E faz, a partir disso, vários paralelos entre cômodos e partes do corpo, traçando um caminho para a autonomia dos movimentos, um mapa do desejo – com o que se quer e principalmente o que não se quer.

– Acho que “Meu corpo” é a grande mensagem que paira em “Soltar os cavalos”, é uma expressão de liberdade num disco em que experimento elas. Compreender o corpo como um território nosso, como um lar para quem somos e quem podemos ser, é a expressão primeira da liberdade que eu posso imaginar, seja pra mim como mulher, seja como compositora” – comenta Julia.

Como compositora, Julia experimenta pela primeira vez colocar suas canções no mundo. Cantora à frente da banda Todos os Caetanos do Mundo por mais de uma década, ela buscou seus escritos quando se viu diante da possibilidade de fazer um álbum próprio. Chegou a pedir músicas de outros compositores até que o produtor do disco, o aclamado Chico Neves – que foi responsável por discos do Skank, Paralamas do Sucesso, Lucas Santtana, entre outros – a incentivou a lapidar suas próprias composições:

“Me assustei quando soube que Julia estava pedindo músicas a outros compositores para compor o repertório do seu primeiro disco solo. Os textos que a Julia escreve são ótimos, ela cria as melodias, por que ela estava pedindo músicas com um material tão incrível nas mãos? Fiquei com isto na cabeça, então disse a ela que deveríamos gravar somente suas próprias composições, insisti nisso. Acho que ela não tinha se dado conta de que já tinha um repertório incrível com ela.” – comenta Chico Neves.

Com cadernos em mãos e muitas melodias grudadas na cabeça, ela foi organizando material que rendeu onze canções, várias delas com textos ou poemas recitados entre melodias e cantos.


– A palavra é o grande ponto de partida desse trabalho, é dela que começa a minha música.

Para o vídeo de “Meu corpo”, Julia convidou sua xará Julia Zakia para assumir a direção. Formada em audiovisual pela ECA-USP, ela foi quem construiu ao lado da compositora a ideia de expressar num desenho (na parede, como mostra o vídeo) a liberdade do corpo presente na canção.

Estou muito orgulhosa por fazer parte do coro que vai gritar, que vai explanar, que vai dançar e cantar a liberdade da mulher brasileira atual, um grito mundial neste momento de profunda luta. Cada música tem uma pegada especifica, um recado, um chamado.  a fotografia pretende unificar, sem uniformizar,  as palavras e a voz da Júlia. Uma luta que passa pelo corpo, pela performance e pela necessidade de falar, de expressar nossas mais simples e mais profundas vontades. Muita luz natural, sem aparatos e efeitos. O papo é reto, a câmera é viva. – finaliza a diretora.

Compartilhe

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios são marcados com *

Digite o que você deseja buscar