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Exclusivo: Dandara Manoela lança “Retrato Falado”, seu álbum de estreia

Um espelho que reflete o singular e se funde com o coletivo: assim é “Retrato Falado”, primeiro disco da cantora e compositora Dandara Manoela, lançado com exclusividade pelo Mulher na Música. Transitando pelo samba e pela MPB, a artista traz à tona lutas e afetos subjetivos que encontram espaço na multidão. Entre as 12 faixas, estão composições como “Mulher de Luta” e “Dona Georgina”, conhecidas por suas letras potentes que transformam dor em resistência.

“É um álbum crítico e combativo, mas também fala bastante sobre o amor, porque acredito que o amor fortalece e dá energia para continuar lutando. Tento trazer esse equilíbrio nas músicas, que representam muito do que sou; e vejo que outras pessoas também se enxergam nesse retrato. É sobre sair do lugar, atravessar, viajar num encontro com novos corpos, rostos, ideias e sentimentos. É transformar e registrar em conjunto”, conta a artista.

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Com produção musical de Rafael Pfleger e Mateus Romero – também baixista na obra -, o disco foi gravado em Florianópolis (SC) após uma campanha de financiamento coletivo. “Floripa tem sons incríveis e o acolhimento das pessoas impulsionou minha carreira desde que mudei de Campinas (SP) para cá, em 2014”, lembra. Para completar o instrumental, Dandara é acompanhada por Jeff Nefferkturu (violão) e Cris Ubrother (percussão).

“Retrato Falado” também conta com participações de Mércia Maruk, Anis de Flor, Fábio Mello, Kauê de Paula, Marissol Mwaba e Rafael Oliveira. “Esse encontro de músicos enriqueceu o disco e garantiu uma costura bonita às músicas. Foi um processo que somou bastante”. O resultado pode ser conferido ao vivo no show de lançamento que acontecerá no 4 de setembro, às 20h, no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis.

Além do trabalho solo, Dandara integra a banda de samba-reggae Cores de Aidê e a Orquestra Manancial da Alvorada. Para ela, sua pluralidade musical representa um símbolo de resistência das manifestações culturais afro-brasileiras e de afirmação da mulher lésbica no campo artístico.

“Nós, mulheres negras, estamos avançando e ocupando espaços. E a música é um instrumento político, um ato de transformação diária” Dandara Manoela

– Retrato Falado é bastante subjetivo, mas também pode representar outras pessoas que se identificam com sua música. Como você enxerga essa relação?

O álbum surge pra retratar quem eu sou, mão vai além de ser um espelho só meu. É a representação de um corpo negro no mundo. Uma mulher preta, lésbica e pobre passa por milhares de opressões que outras pessoas também passam na sociedade. É uma ideia bem pessoal, mas entendendo que eu somos nós em vários aspectos. Então, tento trazer nas músicas coisas que me incomodam e, ao mesmo tempo, falar sobre o que me mantém viva: o amor, o afeto e os encontros. É um misto de emoções, sempre com transparência e sinceridade. Mesmo quem não se identificar com o CD, pode pensar sua relação com o outro, refletir sobre como interage com as pessoas que estão no mundo.

Dandara-6_Crédito-Luciano-Meirelles-HAI-Studio

– Qual a sensação de concretizar o disco via financiamento coletivo? O que esse lançamento significa para você?

É um sonho sendo realizado, uma sensação de vitória e de conseguir realizar os objetivos. Em 2017, quando venci o Prêmio da Música Catarinense, percebi que muita gente me apoiava, já que envolveu uma votação popular. E isso me motivou a fazer o financiamento coletivo. Foi um período intenso, mas o tempo todo acreditando que daria certo e, agora, estou grata por chegar até aqui. Componho há dois anos e, hoje, entendo a música como uma forma de transformar, denunciar e gritar. Então, materializar Retrato Falado é uma conquista simbólica, porque vai além de mim e alcança outras pessoas. Quero botar a boca no mundo pra conseguir mudar um pouco da história, porque já chega de a gente estar sempre no subemprego ou morrendo. E essa transformação não é individual; acredito que a gente só se fortalece de forma coletiva.

– Entre as 12 faixas do álbum, três letras foram compostas em parceria. Como aconteceu esse processo?

São pessoas que encontrei pelo caminho e as músicas fluíram. Em “Mulher de Luta”, que surgiu como “Maria de Luta”, minha parceira foi a Ingrid Maria, que é assistente social e militante feminista. Fiz a música como presente de aniversário pra ela, porque foi uma mulher que me acolheu em Florianópolis e me inspira muito. E a Ingrid falou: “essa música precisa ser pra muitas mulheres de luta”. Um ano depois, ela me mostrou uma poesia e virou uma coisa só, por isso assinamos juntas. E as duas outras músicas conjuntas são com a minha amiga Luisa Vieira, que conheci durante uma vivência no MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Fizemos a vivência na mesma ocupação, onde conhecemos muitas pessoas que nos levaram a refletir sobre os “Encontros”, por isso o nome da música. A gente compôs juntas bem amadoramente, a princípio, e saiu uma música linda. E “Ezequiel” também foi inspirada na nossa vivência. Conhecemos um menino chamado Ezequiel que nos marcou muito com sua alegria e leveza. Um dia, comecei a compor sobre ele e mostrei pra ela. Um tempo depois, ela escreveu um poema e juntamos as ideias. Então, essas trocas aconteceram bem antes de pensar o disco.

SERVIÇO
Lançamento Retrato Falado – Dandara Manoela
Data: 4 de setembro, 20h
Local: TAC (Teatro Álvaro de Carvalho)
Endereço: R. Mal. Guilherme, 26 – Centro, Florianópolis
Valor: R$ 30 inteira e R$ 15 meia
Ingressos antecipados: http://bit.ly/dandaramanoela

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