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“Nada é tão grande que seu sonho não alcance”: Amanda Mittz estreia em clipe

“Nada é tão grande que seu sonho não alcance” esse é o refrão do novo single de Amanda Mitz que, aos 17 anos, descobriu que tinha um tipo raro de glaucoma, o que a fez perder a visão do olho esquerdo. Por causa de sua doença, percebeu a grande falta de acessibilidade na música. Foi então que começou a desenvolver maneiras criativas para trazer acessibilidade ao seu trabalho e ao seu discurso. 

“Muito próximo do fim” é um pop eletrônico que fala sobre superação e empatia e tem participação de Lucas Ferreira, o “Bboy Perninha”, dançarino que nasceu sem o fêmur esquerdo, algo que não o impediu de se tornar um dos principais Bboys do país, vencendo diversas competições aqui e no exterior. O clipe foi gravado no Estúdio Lâmina em São Paulo na região do Anhangabaú.

Em agosto, Amanda embarcou para a Europa em sua primeira turnê internacional onde fará 20 shows e passará por Madrid, San Sebastian, Barcelona, Ibiza e Paris. Isa Meirelles entrevistou Amanda para o mulhernamusica, veja dep

Assista:

  1. Como o interesse pela música surgiu?

Desde pequena eu sempre gostei de cantar. Por minha família ser religiosa, a música é

algo muito forte e logo com cinco anos comecei a cantar na igreja. Na adolescência gravei muito no cenário gospel, em corais, grupos e fazendo backing vocal para cantores. Só com 21 anos decidi que minha vocação era a música e desde então passei a encará-la como profissão.

  1. Quais foram as maiores influências do início da sua carreira?

Meu irmão foi minha primeira influência. Tudo que ele trazia para ouvir, eu ouvia junto. Me lembro bem quando ele chegou com o cd da Celine Dion, aquele que ela estourou com o disco “Let’s talk about Love” que tinha a música do Titanic. A partir disso vieram muitas divas do pop, Whitney Houston, Mariah Carey, Destiny’s Child, Aretha Franklin… Mas acredito que minha primeira descoberta sozinha de uma grande influência musical foi aos 14 anos, Diana Krall com o disco “Live in Paris” e Alicia Keys com o “Unplugged”.

3. Como surgiu o tema acessibilidade musical em seu trabalho? O que ela significa para você?

Com 17 anos descobri que tinha uma doença degenerativa nos olhos. Era de nascença, mas foi diagnosticada muito tardiamente. Tanto que acabei perdendo a visão do olho esquerdo. A partir disso passei a ter uma outra perspectiva sobre o que a vida significa e o que realmente importa sabe? Na verdade tudo o que precisamos é de saúde e amor. Refletindo sobre esse assunto pude perceber que acessibilidade é um assunto pouquíssimo explorado na área musical. Foi então que passei a criar algumas iniciativas para trazer acessibilidade ao meu trabalho de uma forma mais artística, porque vi que tudo que estava sendo feito era muito careta, com uma cara “institucional”. Passei a colocar a hashtag #pragegover em todas as minhas publicações nas redes sociais, descrevendo as imagens, fazer áudio descrição nos meus vídeos e shows e meu Instagram que é todo em preto e branco, para que pessoas com daltonismo no grau mais avançado, que só conseguem ver tons de cinza tenham a mesma experiência ao entrar em contato com as fotos.

  1. Como você acredita que o movimento pela acessibilidade musical pode influenciar o cenário da música brasileira?

Nós artistas temos a missão de comunicar algo. Música pra mim sempre foi ideológica. 

Um quarto da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Acredito que isso não é feito em um tom de assistencialismo, eu não estou fazendo um “bem para as pessoas”. É uma questão de direitos humanos. Todos têm o direito ao acesso a arte e ignorar isso sem dúvidas é uma forma de de preconceito.

  1. O que você quer dizer com o título Muito próximo do fim? O que significa esse lançamento para sua vida (pessoal e profissional)?

Em 2015 a doença evoluiu e eu estava quase perdendo a visão do olho direito. Tive que fazer uma cirurgia muito arriscada, com um pós operatório muito delicado. Nesse período passei alguns dias sem enxergar praticamente nada e vivi no limite por meses, sem saber se ficaria cega ou não. Quando me reuni com o Keops e o Raony, da banda Medulla, nós queríamos compor uma canção que falasse sobre a capacidade do ser humano de viver no limite e mesmo assim acreditar que é possível um final feliz. A partir disso nos juntamos com o Dudu Valle e a Cris Rangel e escrevemos juntos essa canção. Esse lançamento significa o início da segunda etapa da minha carreira. Eu já sou cantora de jazz, mas tenho um desejo muito forte de trazer uma mensagem positiva através das minhas canções, quero fazer a diferença na vida das pessoas, para que elas assim como eu, acreditem na sua capacidade de transformação, acreditem que cada ser tem uma missão individual e que sem isso o mundo sem dúvidas ficará incompleto.

Ficha técnica:
Direção: Fernando Teixeira
Direção de arte: Ester Ganev e Tata Leon
Direção de fotografia: Luan Cardoso
Produção: Rafael Vieira
Assistente de produção: Debby Salomão
Gravado no Estúdio Lâmina

 

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