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“No futuro os paradigmas da palavra amor podem mudar”, Verônica Ferriani

Verônica Ferriani é minha conterrânea. Nascida em Ribeirão Preto – SP, essa mulher incrível sempre movimentou a cena da cidade com a presença da sua voz em rodas de samba e shows do gênero. Num segundo momento após se consagrar como cantora, assumiu seu eu-compositora e lançou seu primeiro disco “Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio” e que inclusive me impactou diretamente (cantamos juntas no Sesc Pompeia a música “De boca cheia” naquele ano de 2014 no projeto Prata da Casa.
Agora ela anuncia “Aquário” seu segundo álbum e mostra uma canção do repertório “Amado Imortal” com direito à video clipe debaixo dágua inspirado no episódio “Volto Já” do seriado Black Mirror. Entre os temas que ela discorre nesse filme vem uma enxurrada de questões sobre sua forma de ver o mundo e seus questionamentos filosóficos sobre o estado físicos das coisas (inclusive do amor).

Sinto orgulho por entrevistá-la aqui no site da SÊLA:
1. Qual a sua ligação pessoal com o título “Aquário”?
 O nome Aquário veio da convergência de muitas ideias. É um disco cheio de imagens líquidas, sou nascida sob a constelação de Aquário, Era pra onde estamos em transição e signo associado ao existir coletivo e à quebra de padrão – inspirações principais desse disco; mas o motivo principal vem da metáfora com a cidade, ambiente de condições mais controladas, pretensamente ordenadas, que acabam por também padronizar ou automatizar um tanto nossa forma de viver, sentir, pensar. Vidro e água como elementos transparentes e tão distintos, o que contém, o que está contido, o que tem forma fixa, o que toma a forma do recipiente…
2. Qual a maior diferença que podemos esperar desse disco em relação ao primeiro?
Meu primeiro autoral, Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio, falava todo em primeira pessoa, é um disco confessional; e tem um lance forte com o empoderamento feminino envolvido. No Aquário quero falar no plural, sobre o coletivo, sobre pertencimento, mais agênero, cavando complexidades menos visíveis antes pra mim.
Queria falar sobre a condição humana, como nos relacionamos em grupos, o que não compreendemos e como nossa consciência reage perante esses desafios da impossibilidade de controle.
3. Você acredita que os robôs poderão amar no futuro?
A afetividade dos humanos com robôs é assunto ainda nebuloso, mas o mergulho que dei nos últimos tempos foi suficiente pra achar que no futuro os paradigmas da palavra amor podem mudar. Não sei se robôs poderão amar, mas acredito mesmo que humanos poderão amar robôs. E a possibilidade de haver ciborgues abre ainda mais o leque. O single Amado imortal, que lançamos semana passada, fala dessa substituição do humano pelo robô a partir de um episódio da série Black Mirror, chamado Volto já. Fiquei transtornada por esse episódio porque ele conseguiu partir de toda a ideia de vínculo que a gente traz hoje, desde nosso entendimento romântico do amor, pra abrir totalmente as possibilidade e o pensamento sobre a afetividade.
4. O que você está sendo agora que acha que nunca foi antes?
Talvez mais corajosa e desbravadora nos temas e abordagens que me interessam. Chamo esse disco de “o desafio do coletivo” porque acho que ao mesmo tempo que estamos de fato nos abrindo pra pensar como grupos, mas continuamos sem olhar a diferença com respeito. É importante que muitos grupos se unam, levantem bandeiras, temos muito por que lutar. Meu papel nesse momento é uma bandeira mais agregadora, de incentivo pra que os cortes e separações entre grupos não sejam radicais, pra que as complexidades sejam consideradas ao olharmos o outro, em favor do diálogo.
5. Pode contar quais são os próximos shows?
Em SP, lançamos o disco no SESC Pompeia dia 19 de outubro. Antes temos 3 esquentas: Campinas essa semana, Matão dia 20/09 e Macatuba 29/09, pelo Circuito Cultural Paulista.
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Quando criou a SÊLA, Camila entendeu que duas artistas tinham mais força que uma. E que três artistas tinham ainda mais força que duas. Desde então sua carreira solo como cantora e compositora ganhou outra dimensão e por isso tem se preparado para lançar o novo disco como GALI, seu novo nome artístico. Como empresária acumulou funções de publicitária, jornalista, apresentadora, palestrante e articuladora. Criou o mulhernamusica.com.br para estimular o conteúdo feito por elas e está aberta a quantas outras funções forem necessárias para fazer mais por elas.

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