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Música Mundo reúne mulheres de toda a América Latina em BH

No último feriado da independência do Brasil estivemos no Música Mundo, conferência que reúne em Belo Horizonte diversos profissionais do país que atuam no mercado. Do dia 6 ao 9 de setembro diversos painéis aconteceram no Centro de Referência da Juventude e no Museu de Artes e Ofício, ambos localizados no complexo da Praça da Estação.

Stencil nas paredes do CRJ

Entramos eu e a Maria Laura para cobrir a oficina da Verônica Pessoa, produtora importante de São Paulo e idealizadora da Pessoa Produtora. Em sua apresentação ela foi prática e precisa ao abordar novos métodos de fomento da cultura onde o ecossistema e a rede compartilhada tem mais força do que um artista individualmente e, portanto, que o coletivo tem um grande papel pela frente nessa missão. Ela também nos contou que a SÊLA tinha sido citada em outro painel mais cedo e aproveitamos pra falar sobre nosso foco de conectar mulheres de todas as etapas da cadeia produtiva. 

Eu e Maria Laura inspiradas no Música Mundo

Antes de ir para a próxima palestra encontramos a Carol Morena do Festival Radioca que convidou o público através do Instagram da SÊLA para a edição deste ano que acontece em novembro na Bahia, Salvador. Também encontramos Claudia Assef, jornalista e idealizadora do Women Music Event e a Pamilla Villas Boas da banda Não Não Eu. Seguimos rumo à próxima roda de conversas que reunia mulheres da América Latina.

Carol Morena no painel sobre Gestão de Festivais no Brasil

Claudia Assef no painel sobre o mercado dos DJS

 

Na ocasião as mulheres presentes representavam dois projetos importantes da cidade. O coletivo Malta, Mulheres de América Latina reunidas pelo tambor, e o projeto Zona Lamm, laboratório de artes musicais para mulheres. Juntos os dois projetos se apresentaram na noite Que Viva La America, nA Autêntica como parte do circuito off da conferência. No mesmo palco estavam: Alessandra Pessoa (BA – Brasil), Aryani Marciano (SP – Brasil), Cláudia Manzo (Chile/ MG – Brasil), La LuzMa (Chile/Peru), Gabriela Sossa (Colômbia), Jenn Del Tambó (Colômbia), Nath Rodrigues (MG – Brasil), Orito (Colômbia), Maria Pacífico (Colômbia), Lucy Pantané (Argentina) e DJ Shaitemi Muganga (Nina Caetano). 

No caso das mulheres da Zona Lamm, a apresentação coletiva foi o resultado de uma residência artística em que estiveram imersas por 15 dias numa casa em BH justamente com o intuito de compor juntas e se prepararem para a gravação ao vivo de um EP que aconteceu na própria festa. Conversei com La LuzMa do Chile sobre sua experiência: “Foi incrível! É impressionante esse projeto de mulheres produzidos por mulheres. Realmente temos dificuldade nesse mundo machista e essa é uma maneira de transformar o feminismo em ação” conta LuzMa que também me disse o quanto no Peru essas questões ainda são necessárias. 

“Eu tinha medo de compor em coletivo mas fui com bastante disposição. Surpreendentemente fizemos sete músicas que gostamos muito do resultado. As letras falam sobre nós: sobre o que ser uma mulher de fogo que move montanhas e desse sentimento de ser feminina, sensível e forte. A direção da Nath Rodrigues ajudou muito para tirar o melhor de cada uma”, revela. Para a própria Nath a experiência também foi única: “Eu estava numa posição de que gosto de estar, de observadora, vendo de fora como estava se tecendo essa relação entre elas”.

Nath Rodrigues, educadora musical e instrumentista

Sobre a curadoria para o show nA Autêntica Nath pensou em diversidade: “Elas são muito diferentes, cada uma com um sotaque diferente, com um costume diferente, com uma maneira diferente de se comportar”. Ela também falou sobre o conservadorismo no atual cenário político e em como a música pode estabelecer outras formas de relação com os movimentos.

“Cada hora uma voa pra um lugar pra poder levar as sementes do que aprendemos juntas. É um efeito teia” (Nath Rodrigues)

“Acredito muito na construção coletiva mas ela não pode ser romantizada. Cada grupo deve encontrar a melhor forma de se organizar, entender a dinâmica dos participantes individualmente pra traçar sua própria forma de trabalhar. Acredito na força na observação. É importa observar como as pessoas se comportam. Não tem regras, cada grupo cria sua própria forma. Na Zona Lammm eu só confirmei isso”, encerra. 

Muitas outras coisas aconteceram no Música Mundo 2018 assim como os shows de artistas maravilhosas como Aiace (BH), Josi Lopes (MG), Tuyo (PR), GAVI (ES) e Maíra Baldaia (MG). A ideia aqui foi reunir alguns assuntos que pudemos contemplar justamente pra dar a ideia do quão vasto e infinito é o mercado musical e em quantas e infinitas funções as mulheres podem estar inseridas. 

Josi Lopes foi uma das mineiras que se apresentaram nos showcases

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Quando criou a SÊLA, Camila entendeu que duas artistas tinham mais força que uma. E que três artistas tinham ainda mais força que duas. Desde então sua carreira solo como cantora e compositora ganhou outra dimensão e por isso tem se preparado para lançar o novo disco como GALI, seu novo nome artístico. Como empresária acumulou funções de publicitária, jornalista, apresentadora, palestrante e articuladora. Criou o mulhernamusica.com.br para estimular o conteúdo feito por elas e está aberta a quantas outras funções forem necessárias para fazer mais por elas.

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