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“Temos que ocupar esse espaço”: com banda formada por mulheres, Maíra Baldaia mostra “Negra Rima”

Quase dois anos depois de sua estreia em disco com “Poente” (YB Music), a cantora e compositora Maíra Baldaia lança, em novembro, seu primeiro DVD. Intitulado “MAIS”, ele foi gravado em maio deste ano n’A Autêntica, em Belo Horizonte, e contou com participações de Ellen Oléria, Luedji Luna, Luiz Gabriel Lopes, Marcelo Veronez, François Muleka, Nath Rodrigues, Guilherme Ventura, Mariana Cavanellas, Héloa e Meninos de Minas.

Diferente do álbum de estreia – que se utiliza de violão, mais lowprofile, em “Mais” Maíra leva ao palco guitarras, bateria e efeitos eletrônicos. “Queria gerar outra comunicação com o público. E foi um processo crescente e natural de dar mais força no som. O momento político me pedia um som mais ácido”, comenta a artista. Parte do crédito ao som mais pesado se dá à banda formada por Larissa Horta (contrabaixo e vocais), Débora Costa (percussão, bateria e pad), Hadassa Amaral (bateria, percussão e vocais) e Verônica Zanella (guitarra e vocais), participantes ativas da construção dos novos arranjos para as canções já lançadas e o desenho rítmico das faixas inéditas.

“Formar uma banda de mulheres se deu por questões instrumentais e ponto. Mas é algo que sempre temos que lutar, até quando for preciso. É uma questão política. Sinto que as mulheres se sentem representadas e incentivadas a tocar. Essas profissionais existem. Temos que ocupar esse espaço.”

Abrindo os trabalhos para o DVD, Mulher na Música mostra com exclusividade a faixa “Negra Rima”, que conta com a participação da cantautora e musicista brasiliense Ellen Oléria. Confira a entrevista com Maíra Baldaia em que comenta detalhes sobre a música e o DVD.

Como surgiu a ideia de gravar um DVD? E de que maneira ele continua e se diferencia do seu primeiro disco?

Inicialmente a ideia de gravar um DVD veio da vontade de mostrar o show ao vivo, um pouco da magia que só acontece no palco, naqueles momentos de troca com o público. O “MAIS” traz novas versões de músicas que estão no meu disco “Poente e outras paisagens” e também algumas inéditas que apontam caminhos que pretendo seguir no meu segundo disco previsto para 2019. Ao mesmo tempo que o DVD é uma continuidade do trabalho que iniciei com o “Poente” é também uma quebra, pois o “MAIS” chega com uma sonoridade mais pesada, com mais efeitos, com mais volume percussivo e traz a guitarra como um elemento novo em todas as faixas, é um trabalho mais voltado para o palco, mais dançante e ao mesmo tempo com o discurso pautado no empoderamento feminino.

Como rolou o convite para Ellen Oléria contigo nesta faixa? E como você criou esta canção?

Ter a Ellen dividindo a faixa Negra Rima comigo é uma alegria imensa. Ela tem uma trajetória na música e no teatro que me inspiram e ensinam profundamente. E, pessoalmente, é uma mulher que sabe a que veio, que conduz sua carreira sempre pautada na positividade e com um olhar generoso para o entorno. A música é uma parceria minha com a Elisa de Sena, grande amiga que lança em 2019 seu primeiro pelo Natura Musical, edital que também aprovou para o 2019 projeto do IMuNe – Instante da Música Negra – coletivo mineiro que faço parte ao lado de mais cinco artistas, entre eles Bia Nogueira que é a preparadora vocal deste DVD. Ter a música produzida por pessoas negras em foco, ter as diversas pautas negras, sobretudo do feminismo negro presente em Negra Rima, é essencial, urgente e necessário.

Como está a expectativa de levar este show para os palcos, especialmente aqui em São Paulo, no Itaú Cultural?

Estou muito feliz de iniciar a circulação do “MAIS” por São Paulo e, especialmente por ser no Itaú Cultural (o show acontece no dia 24/11), nessa casa que realiza um trabalho tão representativo para a cena musical e que pela qual já passaram tantos artistas que admiro. Será a segunda vez que levo minha banda completa para SP, a primeira foi no Festival IMUNE no importante quilombo urbano “Aparelha Luzia”, me acompanham nesse shows as musicistas mineiras Camila Rocha, Débora Costa, Hadassa Amaral e Verônica Zanella e preparamos tudo com muita dedicação. Poder levar esse show para os palcos é o momento de celebração desse trabalho, de troca, de dividir com outros públicos a energia que cada música passa, acredito na arte como um agente transformador e poder fazer isso ecoar é muito importante pra mim.

 

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