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“É uma prioridade manter a minha conexão musical com o Brasil”, Samira Winter lança novo disco inspirado na tropicália

Samira Winter é brasileira. Vive na Califórnia, faz indie rock e canta em inglês. E isso tudo só a torna ainda mais brasileira, aliás. Samira também tá sempre por aqui. Vira e mexe ela retorna ao Brasil, com giros ao lado de sua banda Winter, e constantemente nos referencia lá fora com uma brasilidade latente que carrega em suas produções made in USA. No seu novo projeto então, a dupla flower pop Winter & Triptides – que ela compõe junto ao amigo e parceiro musical Glenn Brigman, da banda estadunidense Triptides -, Samira nunca foi tão Brasil.

Inspirados pela tropicália e pela bossa nova, Samira, Glenn e seu gravador de fita Tascam deram origem ao álbum Estrela Mágica, uma obra cantada em português, temperada com uma graça tipicamente tupiniquim e trazendo junto uma dose de rock setentista gringo, bebido de fontes como o pop setentista e o rock psicodélico.

Espiralada e empoeirada, a produção é a tradução de um sonho da dupla, um projeto que “tem muito da conexão com um mundo sonhador, belo e até inocente. Eu e o Glenn nos conectamos muito com o nosso amor pela música brasileira, então realmente nos divertimos gravando. Estávamos em Los Angeles, mas sonhando com o Brasil”, explica Samira no comunicado à imprensa.

Em entrevista ao Mulher na Música, Samira fala de suas origens, de Estrela Mágica e outros sons a mais. Você confere o papo completo a seguir:

Samira, a gente te vê circulando pelo Brasil e sabe que, ao mesmo tempo, você também já possui uma movimentação bem interessante pelos EUA. Como que estas duas cenas te constroem artisticamente falando, ao mesmo tempo? Isto é: o que você acha que leva do Brasil e dos EUA na sua carreira?

Bom minha vida toda tem sido esse intercâmbio cultural pois meu pai é americano e minha mãe é brasileira. Mas agora vai fazer quase dez anos que moro nos Estados Unidos e é uma prioridade pra mim manter a minha conexão musical com o Brasil. Fico de olho no que tá acontecendo lá e faço um esforço de tocar no Brasil (solo ou com banda) uma vez por ano. Fiquei muito feliz de lançar o Estrela Mágica pois tava faltando um álbum da Winter com bastante música em português. Tenho material novo que é bastante bilíngue também e que pretendo lançar ano que vem. Não sei dizer exatamente como cada cena influencia a outra pois é algo bem fluído e vejo muitas similaridades do que tá rolando em Los Angeles e no Brasil. A coisa mais importante pra mim é escutar bastante música de ambos países e manter a mente aberta à inspiração que baixa.

Essa parceria com o Glenn vem muito da amizade de vocês, então a sensação que temos é de ser um projeto muito natural e tranquilo. Mas, de qualquer modo, deve ser diferente da sua carreira autoral (solo). Qual a principal diferença em tocar/compor/criar com alguém e sozinha?

Que legal que dá pra sentir isso! Realmente o processo de fazer o álbum foi bem gostoso e tranquilo, até porque na época a gente nem tava pensando de como seria o nome do projeto. Na verdade eu compus todas as musicas e o Glenn arranjou e tocou a maioria dos instrumentos. Eu gosto muito de compor mas quando chega a hora de arranjar o resto dos instrumentos eu curto ter mais uma pessoa para ajudar a produzir. Esse foi o processo de todos os meus álbuns até agora. Durante a gravação escutamos bastante Erasmo, Gal, Caetano, Gil, João Donato, Mutantes..

Estrela Mágica traz uma vibe muito nostálgica, uma ideia de algo antigo, mas com traços contemporâneos. É fora de época, ainda que beba muito do rock setentista e da bossa, por exemplo. Durante a gravação do disco, quais referências e ideias de produção vocês tiveram pra evitar que o álbum soasse como algo “datado”?

Com a palavra, Glenn: “Eu sempre apreciei o som de gravações antigas. Quando começamos as primeiras sessões de gravação, eu estava produzindo as coisas do jeito que eu já estava acostumado com outras bandas com as quais estou envolvido (Triptides, Levitation Room, Frankie and the Witch Fingers). A medida que fomos seguindo trabalhando juntos, comecei a captar uma vibe das canções em pequenos detalhes para dar ao álbum sua própria personalidade sonora. No fim das contas, acredito que exista um próprio reino temporal deste disco, entre os registros clássicos do passado  e os dias atuais”.

Teremos uma tour Estrela Mágica por aqui? Se sim, quando? Quais os outros projetos que você está envolvida no momento, Samira?

Quero muito fazer uma tour Estrela Mágica mas não vai rolar esse ano logisticamente. Vou fazer alguns shows solos em Dezembro pelo Sul, mas ainda falta confirmar as datas. Além disso to preparando um EP da Winter pra lançar ano que vem como também outro álbum a seguir!

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