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“É um despertar meu como mulher”: recifense Carol Ribeiro sobre novo clipe

A terceira Lei de Newton estabelece: toda ação gera uma reação. Diante do contexto político
que tem provocado a ascensão do conservadorismo no país, a cantora Carol Ribeiro está na batalha com seu trabalho autoral. No caso do clipe “Liberdade”, recém lançado, a artista dá um passo importante e se coloca de maneira mais incisiva na defesa pela igualdade sexual.

“É um despertar meu como pessoa e como mulher. Não havia parado para refletir sobre a situação da mulher dentro da sociedade até pouco tempo atrás. O movimento feminista vem ganhando força dentro do Brasil, e na nossa cidade, Recife, ver artistas como Mayra Clara, Flaira Ferro, Isadora Melo, Joanah Flor falar sobre e liberdade da mulher, sobre posturas e uso de roupas, sobre masturbação, me fez
acordar para tais assuntos”

O que parecia uma música sobre a discussão de relacionamento de um casal, com o clipe, Liberdade ganha contornos mais sólidos do discurso feminista. “Vi na música Liberdade uma forma de expressar a minha opinião sobre a liberdade da mulher. A música alinhada com o audiovisual ganha esse foco. Quando é inserida dentro do contexto da imagem, ela passa a ter outro significado, pois a imagem também transmite uma mensagem. E quando se junta a mensagem da música com a mensagem do vídeo potencializa-se o seu significado”, explica Carol Ribeiro.

Foto: Diego Cruz

O vídeo foi roteirizado e gravado de forma independente pela própria cantora e o fotógrafo Diego Cruz, com colaborações importantes de Ciel Santos, na construção do conceito, e de Robson Montenegro no figurino e maquiagem. “Acredito que a intenção das compositoras, Gerlany Oliveira e Renata Fernandes, era de falar sobre a liberdade delas dentro dos
relacionamentos homo afetivos. Entretanto, como intérprete existe a possibilidade de se colocar uma outra identidade em relação à música, então compreendi que a letra poderia nos
levar a um local ainda mais profundo”, aponta Carol Ribeiro.

No clipe, Carol Ribeiro traça uma espécie de trajetória das mulheres em busca dos seus direitos. Para tanto, o figurino ganha uma grande relevância para a construção da narrativa, com a cantora alternando figurinos ao longo do clipe. Primeiro, ela aparece com um vestido inspirado nas primeiras décadas do século 20: 


“Nós não podíamos votar, éramos tidas como incapazes de ter um pensamento crítico e de responder criminalmente por nossos atos. A mulher era criada para casar, cuidar dos filhos e agradar o marido. Se vestia com roupas cumpridas e devida obediência ao esposo. A primeira vestimenta reflete isso, é um vestido
preto, longo, de época, e a mulher se movimenta dentro de uma postura reta e regrada”.

Na sequência, ela reaparece com um terninho para simbolizar o ingresso das mulheres nos postos de trabalho: “Devido aos movimentos feministas, a mulher conquistou o direito de votar, passou a trabalhar nas fábricas e começou a usar calças, o que antes só era utilizado pelos homens. O conjunto listrado mostra uma mulher mais ousada e que desafia a sociedade”. E, por fim, a cantora veste um blusão branco e se apresenta com uma maquiagem que nos remete aos dias de carnaval, apontando para as conquistas sexuais e o prazer: “O blusão branco traz o símbolo de igualdade entre homens e mulheres. Nessa fase, quis retratar as muitas conquistas que obtivemos. Hoje temos a mulher forte e independente, mas que apesar de todos os avanços, continua buscando igualdade social. Ainda hoje vivemos diferenças de gênero em termo de salários e de tratamentos pessoais, principalmente em relação a violência, abusos e assédios. A luta continua”, conclui.

CLIPE – O clipe Liberdade é mais um fruto do EP Como é bom!, lançado em dezembro de 2016. Além dele, a faixa Uiron também já ganhou clipe e o canal da artista no YouTube traz gravações das outras músicas em apresentações ao vivo, a exemplo de Como é bom!, Chega mais e Corpo e alma. Para a artista, o investimento nessa área visual é reflexo tanto de uma
oportunidade (o marido dela, Diego Cruz, é fotógrafo e videomaker) como da necessidade de “Hoje o público está muito mais envolvido com a imagem, com o visual. Aplicativos como Instagram, Facebook, WhattsApp e até mesmo o YouTube mudaram a forma das pessoas se relacionarem e o artista precisa estar inserido nesses meios para chegar ao seu público alvo. O visual hoje se tornou essencial para qualquer negócio”, observa Carol.

Para a cantora, mais do que ser um veículo de divulgação da música, os clipes funcionam como uma espécie de complemento artístico. “Os clipes também trazem a interpretação das músicas e deixa mais claro a intenção dela. Isso faz com que o público se envolva mais com a história da música, seu conceito e consequentemente, com o artista”, analisa. E revela: “Descobri que gosto de atuar. Comecei a fazer teatro a um ano atrás e me apaixonei! Acho que a música fica mais viva, mais real e me sinto mais perto do público atrelando minha imagem a minha música”, confidencia.

Segundo ela, o esforço tem valido a pena e já deu para perceber o retorno. “O lançamento do clipe foi feito dentro do Sonora Recife, um festival voltado para mulheres compositoras, e através dele conseguimos uma entrevista na rádio Frei Caneca. O alcance do vídeo é mais
abrangente do que apenas a música. Nas duas ocasiões, a artista promoveu um evento para marcar o lançamento dos clipes e, posteriormente, a divulgação deles se deu por meio das redes sociais. “É uma forma eficaz e barata para se atingir um grande número de pessoas”, revela.

No entanto, ela credita convites para a participação de eventos como o Big Dia da Música, Sonora Recife, Gravatá Jazz Festival e Marco Mostra Moda não apenas aos clipes, mas ao conjunto de um trabalho constante na área de produção e de shows. Além dos vídeos, ela sempre posta informações de eventos e fotos em suas redes sociais, mantém o site carolribeiromusic.com atualizado e disponibiliza o EP para audição em streaming nas principais
plataformas como Spotify, Deezer, Itunes.

Esse texto foi escrito pelo Jornalista Thiago Corrêa, da revista Vacatussa 

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