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As mulheres no Psicodália 2019

As mulheres no Psicodália 2019

Muita gente já ouviu falar no Psicodália. Ano passado estive lá pela primeira vez como jornalista para o Hypeness. Inclusive escrevi uma matéria com o seguinte título: “As viagens lúcidas que tive no Psicodália 2018 “, o que nos sugere, no mínimo, tratar-se de uma experiência intensa e mágica (vale a pena ler, prometo). Localizado na deliciosa Fazenda Evaristo, o festival multicultural e mais independente do Brasil chega, neste carnaval – 1 ao 6 de março -, em sua décima oitava edição na cidade de Rio Negrinho (SC), próxima à Curitiba (PR).

Como também sou cantora e compositora, lembro de sonhar de um dia voltar ao festival como artista, para tocar as músicas que eu vinha compondo. Parecia inatingível. Para a minha surpresa, um ano se passou e esse sonho já se realizou: GALI, meu projeto musical e novo nome artístico, vai estrear no Psicodália 2019. Na banda estão os nomes: Theo Charbel (guitarra), Larissa Conforto (bateria e SPDx), Desirée Marantes (violino e teclas), Erica Silva (baixo) e eu Camila Garófalo (viola, violão e voz). Assim como nós, outras mulheres também estão no line up.

Conheça as mulheres que vão tocar no Festival Psicodália 2019:

Letrux

Ela começou a escrever frases e poemas desde alfabetização, e já criava melodias para essas anotações. Na infância e na adolescência, se divertia em frente ao espelho, dublando as músicas que aprendia. Até que, aos 19 anos, junto com os estudos de teatro, resolveu aprender violão – pela internet! (Vale destacar com canetinha colorida que Letícia domina as redes como poucas artistas). E, assim que treinou alguns acordes, no lugar de emular clássicos da MPB, Letícia começou a compor e cantar para o entusiasmo dos amigos, que sempre pediam mais. Nascia uma estrela!

Sofia Viola

Sofía Viola cresceu no underground de Buenos Aires e nas redes sociais sem premedita-lo, suas canções soam em lugares impensados e seguem atravessando fronteiras. Acompanhada com sua guitarra e seu charango percorreu diversas paisagens, onde ela ganhou músicas e cenários que formam a seu repertório. Com um estilo “arrabalero”, rockero e tropical, ela compôs mais de uma centena de canções que passam por muitíssimos ritmos musicais de raiz latina e do jazz. Com 28 anos de idade e 12 anos acima dos palcos, esta trovadora editou de maneira independente 4 discos. Com seu estilo nómade, a atriz, cantora e compositora viajou tocando pela Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Perú, Brasil, Colômbia e México, para logo pular o mar apresentando-se na Europa onde tocou no renomeado Festival Pirineos Sur e nas cidades de Zaragoza, Madri, Barcelona e Berlim. Ver Sofía Viola ao vivo é sempre surpreendente, com seu humor ácido que brota naturalmente, sua entrega com o público e seu talento cénico ao serviço da canção autoral.

Horrorosas Desprezíveis

Telúrica, profana, visceral e ameaçadoras, nós estamos Vivas. Horrorosas Desprezíveis não pretende ser banda, pretende ser a matilha de cadelas raivosa em coro. Uma performance musical embebida em 50ml, 50 minutos em fluxo intenso. Formada em 2016, na cidade de Curitiba, a partir da fusão dos trabalhos artísticos de Amira Massabki (compositora e guitarrista), Jo Mistinguett (sonoplasta e baixista) e Patricia Cipriano (atriz e vocal), o grupo já participou de festivais importantes de teatro (Curitiba, São José do Rio Preto -SP). Também integrou a grade de programação do Festival Plural, realizado bianualmente na cidade de Araçatuba (SP) para celebrar a diversidade. Em 2018, iniciou o processo de gravação do seu primeiro álbum previamente intitulado de Eu Vim do Futuro e Lá Só tem Sapatão, uma obra cujo objetivo é reunir mulheres de várias linguagens (teatro, música, cinema, artes visuais e dança) na produção de um trabalho que expande a musicalidade para além da canção.

Xênia França

Após a ótima receptividade do álbum Xenia, que marcou a sua estreia-solo, a cantora e compositora Xenia França roda o país com o show deste trabalho. Logo na abertura, ela dá o tom com a música Pra Que Me Chamas?, na qual faz referência aos seus ancestrais, manifestando que a história dela não começou no seu ano de nascimento, mas muito antes disso. Assim como no disco, a apresentação segue por um caminho poderoso em que traça o empoderamento da cantora e também a tomada de consciência sobre o poder da mulher negra. “Preta Yayá” é exemplo disso, música que homenageia a diáspora negra.

Dona Onete

Diretamente do Pará, a “rainha do carimbo chamegado”, Dona Onete e sua banda lançaram em 2016 o cd “BANZEIRO”. A compositora, que tornou-se referência para os jovens músicos do estado, tem em seu repertório canções do álbum “Feitiço Caboclo”, lançado em 2012, como “Proposta indecente”, “Amor brejeiro”, “Poder da sedução”, “Moreno Morenado”, “Feitiço Caboclo” e “Jamburana”. Além de canções do seu segundo álbum, como “É no sabor do beijo”, “Tipití” e “Banzeiro”. Turnês nos EUA e na Europa e shows por todo o país vem consagrando este jovem talento
de 79 anos de vitalidade e talento. Em 2017, um DVD gravado em Belém e outros shows Brasil adentro e mundo afora.
Dona de uma voz rouca e grande sensualidade, essa senhora de 79 anos, é a musa da nova geração da música paraense. Dona do “carimbó chamegado”, que segundo ela tem o balanço do carimbó, mas “com um toque de pimenta”.

Ramona & The Red Vipers

Ramona & The Red Vipers é um grupo formado por músicos reunidos em torno das composições de Andrea Cøpio, vocalista singular que mistura o charme do blues com a atitude e energia do punk. Soma-se a isso os acordes de jazz e o hammond barroco de Alê Fonseca, a firmeza e groove da bateria de Pablo Campos e o baixo decidido de Willian Rosa. Tudo isso num show envolvente, performático e energético. Com o lançamento de seu primeiro disco marcado para março/2019, a banda volta de uma turnê entre Minas e São Paulo pronta para tomar os palcos do Psicodália.

Lucinha Turnbull

Quando se trata de rock no Brasil o nome de Lucinha Turnbull é sempre lembrado como a guitarrista da banda Rita Lee & Tutti Frutti. Ela ficou pouco mais de dois anos no grupo mas o suficiente para marcar a presença. E que presença, já que era a primeira mulher a assumir a guitarra numa banda brasileira. No novo show Lucinha, acompanhada de quatro músicos, canta parcerias com Rita Lee e Mathilda Kovac, composições de Gilberto Gil e Gonzaguinha, feitas especialmente para ela, além de
homenagear duas de suas influências, Beatles e Bob Dylan.

GALI

GALI é o novo nome artístico de Camila Garófalo. Inspirada pela viola caipira, a cantora e compositora resgata suas raízes no interior de São Paulo ao passo em que cria outras possibilidade dentro da nova música brasileira, misturando também o que aprendeu em dez anos radicada na capital paulista. Militante da causa LGBTQAI+, aborda em suas letras a temática da mulher lésbica e de sua desconstrução dentro da questão de identidade de gênero. Quando ainda era Camila, passou por palcos como SESC Pompeia (SP), Ribeirão, Campinas, Santos, Rio Preto, São Carlos e Festivais como Dia da Música e Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras. Em sua reestreia como GALI escolheu o Festival Psicodália para uma de suas primeiras apresentações com o novo disco, a ser lançado pelo selo SÊLA em 2019.

Anelis Assumpção

Anelis Assumpção é uma cantora e compositora brasileira que mistura em seu trabalho vocais sensuais a arranjos irreverentes, pitadas de dub, afrobeat e grooves brasileiros. Filha do falecido cantor e compositor Itamar Assumpção, Anelis representa o espírito livre de amarras da vanguarda da música de São Paulo, bem como o toque de originalidade que ela herdou de seu pai. Suas raízes paulistas correm profundas dentro do seu estilo, levando a música pra frente, capturando algo novo, mesmo que ainda mantendo o sabor do vintage/analógico vivo.

Aiace

Aiace integra a nova geração de cantoras/compositoras baianas. Formada em Canto Popular pela Universidade Federal da Bahia integra o grupo Sertanília e lança agora também seu trabalho solo.

Sua trajetória musical vem de muito cedo. Aos 16 anos já cantava em espaços da noite soteropolitana e em 2009 entrou para a Orquestra Afro Sinfônica, grupo comandado pelo maestro Bira Marques que promove a junção da música orquestral, do Jazz e do universo musical afro-baiano. Além da Afro Sinfônica também trabalhou ao lado de grandes músicos do cenário baiano como Gerônimo, Mateus Aleluia (Tincoãs), Lazzo Matumbi, Munir Hossn, Luiz Brasil e Mou Brasil.

Cao Laru

Banda franco-brasileira viaja pelo país em uma Kombi e apresenta o novo concerto “Músicas de um Mundo-quintal”

A história do Cao Laru não poderia ser senão curiosa – e inspiradora. Em 2014, eles cursavam mestrado em Pedagogia Musical em Rennes, na França. Decididos a colocar em prática os conceitos que aprendiam na universidade, eles resolveram montar uma banda de “músicos interventores”, que ocupavam, com música, espaços como asilos, creches e hospitais. Começava a se desenhar ali um dos pilares do Cao Laru: a vontade de levar música a qualquer lugar.

Soema Montenegro

Soema Montenegro es una cantante y compositora experimental afincada en Buenos Aires que mezcla los sonidos y las imágenes de los paisajes de la selva y la montaña con su original poesía, creando una nueva y única voz en la escena musical actual de Sudamérica. A menudo se refieren a ella como una poeta-chamana, Soema encuentra inspiración de las tradiciones indígenas y la naturaleza mientras continúa siendo relevante e innovadora.
La actuación de Soema combina su extraordinaria voz con instrumentos autóctonos Latinoamericanos. Ha sabido fusionar las diferentes latitudes musicales, como el Folklore Latinoamericano, el Fado Portugués, la música Afro- americana, las milongas y los valses del Río de La Plata. Un huayno y una milonga con un bandoneón unidos por una caja Chayera (instrumento usado en las culturas andinas). Un Cuatro Venezolano da sonido a otra región, mientras la voz acompaña el movimiento. Ella busca conectarse con los orígenes de la voz latinoamericana y ahondar en esos sonidos.
Su encantadora narrativa teatral y emotiva trasciende el lenguaje y transporta a los oyentes. Ha recibido elogios de la crítica de audiencias internacionales en todo el mundo.

Mulamba

Mulamba é uma banda curitibana que pulsa força e poesia, unindo influências que vão do rock à música erudita. Mulheres com vozes dissonantes, que saem das entranhas e têm muito a dizer, elas representam um grito, um suspiro de encantamento, um furacão. As integrantes reforçam o protagonismo feminino na música nacional e se preparam para lançar seu primeiro disco.

Juntas desde dezembro de 2015, Amanda Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Érica Silva (baixo, guitarra e violão), Fer Koppe (violoncelo) e Naíra Debértolis (guitarra, baixo e violão) são contundentes em reiterar os anseios e as inquietações de quem transforma a luta pela igualdade de gênero em batalha diária.

Elza Soares

Uma das maiores personalidades da história da música popular brasileira, Elza Soares voltou de maneira avassaladora à cena musical no ano de 2015 em grande estilo com o show da turnê A Mulher do Fim do Mundo, o primeiro álbum de inéditas da carreira da artista. Assim que o disco foi lançado, no segundo semestre de 2015, o reconhecimento foi instantâneo.

É claro que também estarei no festival com a SÊLA durante todo o tempo para cobrir e depois contar, com detalhes, como foi participar do Psicodália de todas as formas possíveis: como artista, jornalista e público. A ColetivA Casarelas de Belo Horizonte também estará com a SÊLA durante todo o processo. Na ocasião, além de performar no meu show, elas também estão levando a Mostra de Mulheres Performáticas para ser exibida no Cinema do Dália. Outras atividades como círculos e rituais também acontecerão na sua tenda (basta procurar por lonas amarelas e mulheres vestidas de amarelo).

Outras várias atividades vão acontecer no Festival como yoga, cortejo circense, meditação, fotografia, maquiagem artística, recreação infantil, Desafio da Cerveja, sessão de curtas, dança, xadrez, ciranda e um tanto de outras atividades criativas. Para quem não puder estar no Festival acompanhe as ações da SÊLA no instagram e no Facebook.

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Escrito por

Quando criou a SÊLA, Camila entendeu que duas artistas tinham mais força que uma. E que três artistas tinham ainda mais força que duas. Desde então sua carreira solo como cantora e compositora ganhou outra dimensão e por isso tem se preparado para lançar o novo disco como GALI, seu novo nome artístico. Como empresária acumulou funções de publicitária, jornalista, apresentadora, palestrante e articuladora. Criou o mulhernamusica.com.br para estimular o conteúdo feito por elas e está aberta a quantas outras funções forem necessárias para fazer mais por elas.

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