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“Ser produtora musical é extensão da minha corpa transvestigênere”: Malka

“Ser produtora musical é extensão da minha corpa transvestigênere”: Malka


Em 2018, Malka lançou uma track muito bem recebida no meio LGBTQI+ com o grupo de performance queer Animália, em caráter especial para o Bloco de Carnaval do mesmo grupo. No momento atua fortemente na produção cultural do meio Queer/Trans do qual faz parte, finaliza o disco da premiada produtora BadSista (Linn da Quebrada/Jaloo), gravou no seu estudio o remix para Kelela produzido pela Badsista que saiu pela Warp Records,fez tracks com Verônica Valenttino (toca teclados atualmente com a banda Verônica Decide Morrer. 

Cantar, compor e produzir. Malka passou por todas as etapas no processo do seu single para a Coletânea SÊLA, projeto que promete uma música inédita por semana disponível em todas as plataformas digitais.Ela também indica outras três produtoras musicais de quem admira o trabalho: BadSista (Linn da Quebrada, Jaloo), Gavin Rayna Russom (LCD Soundsystem) e, inclusive, Natalia Carrera (Letrux), outra mulher trans maravilhosa que também gravou para a Coletânea SÊLA. Fiquem com essa entrevista maravilhosa e até semana que vem!

1) Como foi o processo de gravação da música para a coletânea SÊLA? Qual programa usou? Quais instrumentos tem na música? Comente um pouco.

Foi um processo realizado com uma música que eu já havia composto no fim de 2017. A produção foi executada em Logic Pro X e conta com baterias eletrônicas, sintetizadores, guitarra e vozes. Todos instrumentos foram executados por mim e creio que essa é a música mais roqueira que eu lancei e vou lançar.

2) Porque você se assumiu produtora musical? Demorou muito? Comente um pouco.

Produção musical foi algo que surgiu de uma necessidade, na qual eu gostaria de fazer música mas não tinha dinheiro para ir aos grandes estúdios, então comecei meu homestudio muito nova e venho estudando desde então. Trabalho somente com música desde 2009, e desde então me considero produtora e venho contando com um cartel de lançamentos cada vez maior, apesar de ter sentido uma alavancagem real nos últimos anos de produções realmente relevantes. Foi algo que comecei a estudar em 1997, em computadores muito antigos e lembro que era muito suado conseguir gravar um disco com poucos recursos.

3) Por que você escolheu essa intérprete para o seu single? Vocês já tinham trabalhado juntas antes?

Quando fechada a coletânea eu havia entendido que era uma música minha que necessitavam, eu queria muito poder chamar alguém, mas quando percebi que era isso acabou ficando tarde e acabei por fazer eu mesma.

5) Porque você é produtora musical?

O meu papel de produtora musical foi mudando de acordo com os anos. No começo era algo para desenvolver minha carreira, depois passou a ser algo que eu contava intimamente para a renda mas nunca tive muita opção de escolha nos trabalhos realizados naquela época, depois começou a tomar minha vida e se tornar não só minha profissão a maior parte do tempo como também agora posso escolher meus trabalhos e trabalhar artisticamente, finalmente com o que amo e acredito. Hoje ser produtora musical para mim é uma extensão da minha corpa transvestigênere, posso com as produções tornar o mundo um lugar melhor e mais habitável para minha corpa e das minhas manas.


Hoje é algo que vai muito além do trabalho para mim, é uma questão política e de sobrevivência.  

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