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LETO, do selo Freak, produz música para Coletânea SÊLA

LETO, do selo Freak, produz música para Coletânea SÊLA

Filha de músicos eruditos, Letícia Cury nasceu em contato com a música. Apesar de compor desde os 10 anos, a decisão de seguir carreira profissional veio em 2017, após trancar a faculdade de artes cênicas. Ao ingressar em um curso de produção musical, iniciou sua vida na música eletrônica aprimorando seus conhecimentos para criar bases instrumentais que dessem peso e conduzissem suas letras; por vezes bem humoradas, por outras sérias e reflexivas. Se inspirando em nomes do avant-pop como ABRA, Sevdaliza e Yaeji, Leticia Cury sob o pseudônimo de LETO iniciou no começo de 2018, a gravação do seu primeiro álbum no estúdio Freak. Com previsão de lançamento pelo selo Freak agendada para o início de 2019, a produção conta com músicos/produtores notáveis como Nico Paoliello (Garotas Suecas, Mel Azul, VRUUMM, 2DE1 entre outros), André Bruni (Mel Azul, Bruno Bruni, Cupin, Pessoas Estranhas) e Antonio Carvalho (Mel Azul, Cupin, 2DE1) tem sido bastante elaborada e o som engloba diferentes estilos de música, dadas as referências ecléticas e as diferentes possibilidades de som propostas pela artista. As faixas vão desde groove, até pop, até trap com r&b e não economizam no uso de sintetizadores e instrumentos acústicos como piano, baixo, saxofone, fagote, bateria e guitarra.

Veja a entrevista que fizemos com ela depois que ela produziu uma música para a Coletânea SÊLA:

1) Como foi o processo de gravação da música para a coletânea SÊLA? Qual programa usou? Quais instrumentos tem na música? Comente um pouco.

A música, como a maioria das minhas composições, foi gravada pela primeira vez no meu quarto. Ela foi produzida por partes e a letra foi saindo enquanto a parte instrumental tomava forma. Usei o Ableton, que é o programa que tenho mais familiaridade, e construí o trabalho a partir de loops e samples- que existem num banco de dados na internet- feitos com plug ins e timbres diferentes, que foi o que sempre me atraiu. A princípio, todos os instrumentos são eletrônicos e produzidos no programa. Esperei a música tomar desenho para adicionar elementos que poderiam complementá-la. O sax presente na música, por exemplo, é um sample de sax acústico, com reverb e alterações que o deixam com o som diferenciado. O que sempre me fascinou na música eletrônica é a capacidade de unir e coordenar elementos cada vez mais de formas novas e criativas. Sinto que é um “caminho sem volta” que engloba infinitas possibilidades. Dá liberdade de criar.

2) Porque você se assumiu produtora musical? Demorou muito? Comente um pouco.

Eu comecei a produzir pela necessidade que eu sentia de compor. Sendo meus pais músicos eruditos, eu sempre tive uma educação musical bastante regrada e desde pequenininha compunha músicas no piano. O meu processo de me assumir produtora veio lado a lado com meu processo de me assumir artista, me assumir cantora, compositora e, na realidade, o que sempre me encantou, criadora; trazer aquilo o que sinto para a terra, conceber uma coisa nova, que ninguém nunca tenha escutado, visto ou sentido e torná-la real. Isso para mim envolve a produção da música, porque sua atmosfera envolve cada elemento presente na música. Fico chateada quando as pessoas se referem a mim como “cantora” ou “cantora-compositora”, porque sinto que antes eu sou muito mais produtora do que qualquer coisa. Por mais que meu trabalho tenha outros produtores envolvidos, minha proposta musical começa com a produção e sinto que limita o meu trabalho me responsabilizar por outras partes do processo apenas. O meu trabalho como artista é relativamente recente e eu nunca produzi alguém que não fosse eu mesma e sinto que muitas vezes foi difícil ser mulher nesse meio, me impor e ter voz no sentido de confiarem que eu sei o melhor pra minha música e me reconhecerem, acima de tudo, como produtora.

3) Por que você escolheu essa intérprete para o seu single? Vocês já tinham trabalhado juntas antes? 

3) Eu me escolhi como intérprete (risos) então digamos que já estava bastante acostumadas a trabalhar com ela. Fazer uma nova música, no meu caso, implica a produção, composição e a interpretação por minha conta. Um dos meus objetivos no futuro é aprimorar minha produção musical, de forma com que eu possa ajudar outras pessoas a se expressarem através da música. Por enquanto, meu trabalho  com a produção anda lado a lado com a minha proposta musical, que engloba todo o meu trabalho autoral. Eu sempre procuro me desafiar dentro desse universo e, com essa música não foi diferente. Trabalhar outras possibilidades de timbre, tons e formas de som fez muita parte desse processo. A composição também foi feita pensando no momento que vivemos como sociedade e sobre a voz e força da mulher, tão reprimidas, no meio de tudo isso. 


4) Porque você é produtora musical?

4- Eu sempre soube que não ia levar uma vida convencional e, pra ser sincera, nunca tive uma vida convencional. Quando rolou aquele fatídico momento de ter que parar e realmente pensar no que se quer fazer e, acima de tudo, ser na vida, eu tentei buscar dentro de mim aquilo que ninguém tinha que me pedir pra fazer e eu fazia por mim; porque fazia sentido e também porque haveria troca com o mundo dessa forma. Era a música. Desde pequena ela foi minha terapia. Eu aderi cedo a um mecanismo de troca que funcionava assim; “eu posso viver uma situação muito ruim, mas se sair uma música boa disso, de alguma forma, valeu a pena”. Fui atrás de aprender, aprimorar, entender como produzir o estilo de música que eu almejava fazer. Essa foi sempre a forma com qual consegui me expressar, organizar meus sentimentos, meu jeito de falar com Deus, que, no meu caso, é essa energia que corre pelo mundo e que existe em cada um de nós. Eu me tornei produtora porque eu tinha o que dizer e minha forma era essa. Eu virei produtora porque esse foi meu jeito de me colocar no mundo. Eu virei produtora porque a música corre pelas minhas veias e é isso que eu sei fazer (e arrisco dizer que é o que vim fazer aqui também).

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