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Laure Briard quer trazer um pouco mais de amor ao Brasil

Laure Briard quer trazer um pouco mais de amor ao Brasil

Já fizeram o exercício de pesquisar compositoras antigas, que lançaram álbuns brilhantes, mas tiveram suas obras um tanto escondidas por décadas? Esta semana descobri a alemã Sybille Baier e seu Colour Green, disco gravado no início dos anos 1970, porém lançado somente em 2006 pela Orange Twin Records. Imediatamente derreti em sua melodia e voz. Por meio da cantora e compositora francesa Laure Briard, que possui forte identificação com a música brasileira, fui apresentada a outras mulheres: a francesa Françoise Hardy, a norte-americana Margo Guryan e a britânica Vashti Bunyan.

Laure Briard se aproximou do Brasil em seu álbum “Coração Louco”, produzido pelo guitarrista e produtor musical Benke Ferraz, do Boogarins. O EP lançado em 2018, foi gravado junto a membros da banda Hierofante Púrpura, de Mogi das Cruzes, SP, em um universo musical capaz de fazer a francesa se arriscar a cantar versos em Português, além de homenagear Jorge Ben.

“Neste disco eu trabalhei com novas pessoas, que não estava habituada. Então foi uma experiência única. A sonoridade experimental veio com a mixagem feita por Benke. Eu queria alguma coisa diferente dos meus outros álbuns. Eu quis explorar uma nova forma de não só fazer música, mas também tratar o som”, expica Laure, que está de volta ao Brasil para uma mini tour passando pelo Rio de Janeiro, Vitória, São Paulo e Campinas.

Un peu plus d’amour s’il vous plait é o título do novo álbum de Laure, lançado em fevereiro de 2019. O som que ela perseguiu em seu mais recente trabalho deixa clara sua obsessão pelo disco Historie de Melody Nelson, do elegante artista francês Serge Gainsbourg. Un peu plus d’amour s’il vous plait é um pop sofisticado quase mântrico, não tão tântrico quanto o disco do parceiro de Jane Birkin.

“Marin Solitare”, faixa que abre o disco, é sobre o estado de se sentir à deriva na vida, sensação análoga ao que passa um marinheiro sozinho na imensidão do oceano, deixando ser carregado apenas pelo vento, na imprecisão das ondas, prestes a naufragar.

O disco foi lançado pelo selo independente francês Midnight Special Records, que tem trabalhado com outras artistas contemporâneas, como Michelle Blades e Cléa Vincent. “Wander / Wonder” une versos em francês com o refrão, em tom viajante, de um pop inglês. “Love Across The Sea”, tem partes faladas que fazem referência direta à estética Gainsbourg, traduzindo o sentimento de amar alguém à distância: “Not sure to remember all the details of your face / Can’t touch your body / But I feel your mind and soul”. Já “Changer dávis” é o exemplo clássico de seu estilo “yéyé-psych“. A faixa-single “Kooky Son” é o retrato da personagem que vive impregnada na poesia, porém se sente atormentada por habitar um mundo tão duro, Laure afirma “embaixo de seu sol maluco”, que “não é fácil ser tão romântico”.

“J’oubile” é uma perfeita balada sonhadora e introspectiva. Uma reflexão feita sob o ângulo de alguém que pára para tomar um sorvete ou uma xícara de café, enquanto confessa “Je chante pour oublier ma peine”. (Traduzindo: Eu canto para esquecer a dor). “Someone” tem uma introdução de bossa-nova, que poderia ter sido composta no Rio dos anos 1950/1960.

“Energie” é sobre a sabedoria pessoal de não desperdiçar a própria energia. Un peu plus d’amour s’il vous plait encerra com uma faixa-homônima em contraste com a sonoridade eletrônica da anterior. A música começa com o som de um violão em primeiro plano e cresce surpreendentemente, clamando para que todos se olhem como irmãos e celebrem o amor.

“No Brasil, é claro, é horrível o que aconteceu com o presidente de vocês. Mas no mundo, em geral, podemos sentir essa falta de empatia. As pessoas são más com as outras, cada vez mais. E essa enorme diferença entre ricos e pobres me assusta. Eu espero que as pessoas no Brasil possam entender minhas letras e perceber que elas não estão sozinhas”, conta Laure, afirmando que realmente pensou no Brasil ao escrever a letra.

Foto: Lisa Boostani

Para a atual turnê, Laure Briard convidou, novamente, membros da banda Hierofante Púrpura, e a baterista Larissa Conforto para acompanhá-la. “Eu ouvi muito falar sobre ela! Nunca a tinha encontrado até hoje. Quando estava buscando por uma baterista, todo mundo falou comigo que eu deveria trabalhar com a Larissa. Estou muito feliz que todos aceitaram tocar comigo. São ótimos músicos, além de pessoas doces. Estou muito feliz”. Sobre compositoras da atual cena brasileira, Laure conta que admira Céu, Ava Rocha e Salma Jô, vocalista e compositora da Carne Doce.

SERVIÇOS

O QUE? Laure Briard no Fórum Studio, no Rio de Janeiro
QUANDO? 27 de abril
ONDE? Rua Professor Alfredo Gomes, 33 – Botafogo
QUANTO? R$20 até 19h30 / R$25 após 19h30

O QUE? Laure Briard na Casa da Gruta, em Vitória (ES)
QUANDO?
28 de abril
ONDE?
Rua Barão de Monjardim, escadaria Cristóvão Colombo, 10
QUANTO?
R$15

O QUE? Laure Briad no Sesc Santana, em São Paulo
QUANDO?
1 de maio
ONDE?
Teatro do Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo
QUANTO?
R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia), R$ 12,00 (credencial plena)

O QUE? Laure Briard no Sesc Campinas
QUANDO?
2 de maio
ONDE?
Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim / Jardim do Galpão
QUANTO? ENTRADA GRATUITA

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