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Dez momentos que marcaram nosso Forró da Lua Cheia 2019

Dez momentos que marcaram nosso Forró da Lua Cheia 2019

Imagina um festival de vinte e nove anos. Coincidentemente vinte e nove também é minha idade. Cresci ouvindo falar no tal Forró da Lua Cheia. De fato, há uma cultura do forró instaurada nesse evento que acontece na cidade de Altinópolis – há 50 km de Ribeirão Preto, mas também há um olhar contemporâneo sobre o que está rolando na atual cena da música independente. Já fui em muitos outros Forrós, porém foi no ano passado que, de fato, a SÊLA participou ativamente, entregando a curadoria da Tenda SÊLA com diversas mulheres mostrando seu som. 

Já nesse ano tivemos a honra de participar da Comunicação e da cobertura completa de três dos quatro dias de Festival. Mais além, também fizemos parte da equipe das Casarelas, coletiva de mulheres de BH, que estavam lá para distribuir ao público sua mais recente performance, a “Transmissão Cósmica” (prometo que explico do que se trata se você continuar lendo essa matéria).

“Esse Festival é diferente, as pessoas não estão preocupadas em dar close, elas estão realmente imersas na experiência de simplesmente estar aqui e viver isso”. (Maria Moreira – Casarelas)

Na tradicional Fazenda do Vale das Grutas tivemos muitas outras constatações modernas sob a luz do sol e sob a luz da lua. Por isso, viemos contar os momentos que mais nos marcaram nessa vigésima nona edição do Festival Forró da Lua Cheia.

Eu no primeiro dia de Festival


1.O show histórico de Ilu Obá De Min com Elza Soares

Ilú Obá De Min por Mari Matias

Foi a segunda vez que esse formato foi apresentado ao público. A primeira aconteceu no Festival Coala de São Paulo. Foi então que a produtora cultural Eliara Alvez teve a ideia de levar o mesmo espetáculo para o Forró. Ao som de canções como “O que se cala” e “Banho” o coletivo de mulheres engrossou o caldo ao lado da rainha Elza. 

Elza Soares por Mari Matias

“A mulher de dentro de cada um não quer mais silêncio. A mulher de dentro de mim cansou de pretexto. A mulher de dentro de casa fugiu do seu texto”
(Dentro de cada um – Elza Soares)

2. A Oficina de Escrita para Mulheres na Tenda Viva

O assunto também era Elza Soares. “Ela sofreu preconceito e machismo além de todos os limites enquanto diziam que ela se aproveitava da fama do jogador Garrincha e era jurada de morte, a cantora era vítima constante da violência doméstica. Sua vida foi marcada por outras inúmeras dores. Perdeu a mãe em um acidente de carro e enterrou quatro filhos…”, leu em voz alta a oficineira.

A resiliência é uma marca em sua carreira (Sobre Elza Soares)

3. A performance “Transmissão Cósmica” da Casarelas

Camila Garófalo (SÊLA) e Maria Laura (Casarelas) em ação! (foto por Mari Matias)

Casarelas é uma coletiva de mulheres performáticas que nasceu em Nova Lima, MG – 10 km da capital mineira, Belo Horizonte. Já a performance “Transmissão Cósmica” nasceu no Festival Psicodália (SC) durante uma imersão no carnaval deste ano. A ideia é utilizar tubos (à princípio) de construção para conduzir sons que misturam música, poesia e meditação. Uma das mulheres que aplicamos a performance, Beatriz Cintra, comparou a atividade com os vídeos ASMR (Autonomous Sensory Meridian Response, Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano, em português). A técnica propõe a sensação de relaxamento através de imagens e sons. Quando duas pessoas estão aplicando uma “Transmissão Cósmica” em outra pessoa, por exemplo, a mistura de sons são mais aleatórias porque nada é combinado. Tudo é ao vivo e improvisado, o que torna a experiência ainda mais interessante com a reverberação nos tubos. Ninguém além das pessoas que recebem a mensagem consegue ouvir o que está sendo dito. 

Julia Pessini por Kiko Cardial

4. As tantas mulheres com habilidades para o circo 

No item anterior lhes apresentei a Casarelas, aqui apresento-lhes as CaBarelas. Trata-se também de um coletivo porém dessa vez formado por mulheres do circo de Ribeirão Preto. Juntas, elas propuseram outras atividades além das tanta oficinas de malabares e acrobacias que também rolavam espalhadas pelo festival. Pessoalmente conheço as irmãs Coala que fazem parte do grupo. Elas também estiveram no Festival João Rock na semana interior mostrando seu trabalho.

5.A oficina fotografia “Corpos Transbordantes” de Mari Rosa e Marina Souza

A oficina Corpos transbordantes busca trazer a compreensão dos corpos através da arte da fotografia. A oficina é constituída em duas etapas: a primeira etapa é uma roda de debate sobre padrões de beleza impostos pela sociedade com ênfase na gordofobia, pauta que ainda é pouco trabalhada no meio artístico e nos movimentos sociais em geral. A segunda parte é um workshop compacto, liderado por Mariana Rosa a fim de ensinar os participantes a conhecerem seus corpos através da fotografia facilitando o uso da câmera de celular para realizar um mini ensaio fotográfico com as dicas do workshop.

Mari Rosa e Marina Souza

6.O show enérgico de Ekena no Palco do Lago

Ekena é natural de Araraquara e ficou conhecida na cena com a música “Todxs Putxs”. Então nada mais simbólico do que ela se apresentar com banda completa para seus vizinhos conterrâneos.

Ekena é uma força da natureza. O último show que vi dela foi no Armazém Baixada, casa de shows independente de Ribeirão Preto, que já tinha sido intenso. No Forró ela ultrapassou os limites e desceu do palco para se misturar com a energia do público.

7.O show da banda Srta. no Palco Piscina

Uma banda composta só por mulheres. Há mais de dez anos nasceu a banda Srta na cidade de Ribeirão Preto. A SÊLA já acompanhou o trabalho delas em muitas outras festas quando Gah Heblin (ex BBB) ainda fazia parte do grupo. Atualmente compõe o time Juliana Mangolin (violão e voz), Marina Dahger (guitarra, voz e violão), Bianca Costa (bateria), Andrea Mille na percussão e Karol (baixo).

8.O show teatral de Cao Laru

A banda franco-brasileira que acabou de lançar o disco “Fronteiras” e viaja pelo mundo em sua kombi tem três mulheres na formação: Laura Aubry (acordeom e voz), Marie Tisser (violoncelo e voz) e Louise Aleci (violino e voz). É difícil descrever a força que as três juntas podem trouxeram para esse show que aconteceu no Palco do Lago.

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Cao Laru no Forró da Lua Cheia foi ❤️

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9.O espaço de mensagens de amor

Ao lado do Palco do Lago havia uma salinha meio subterrânea onde as pessoas personalizam cartolinas com mensagens positivas. Até nisso o Forró acertou porque é, de fato, inspirador passar por ali e sentir que as outras pessoas estão emanando coisas boas pra gente. 

10.O show sagrado de encerramento de Xênia França 

Xênia fez a mesma coisa no Festival Psicodália. E foi lindo de novo. Falou coisas necessárias sobre a natureza e a força da união em tempos sombrios. Foi com ela que encerramos nossa cobertura no sábado. Foi com ela que aprendemos conceitos ancestrais e sobre o privilégio de estar num lugar como o Forró da Lua Cheia. 

“Que bom que estamos debaixo desse céu, afastados da cidade” (Xênia França)

Por causa disso tudo agradecemos imensamente a oportunidade de ter estado lá.

Eu, Camila Garófalo (SÊLA) e Maria Moreira (Casarelas)

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Quando criou a SÊLA, Camila entendeu que duas artistas tinham mais força que uma. E que três artistas tinham ainda mais força que duas. Desde então sua carreira solo como cantora e compositora ganhou outra dimensão e por isso tem se preparado para lançar o novo disco como GALI, seu novo nome artístico. Como empresária acumulou funções de publicitária, jornalista, apresentadora, palestrante e articuladora. Criou o mulhernamusica.com.br para estimular o conteúdo feito por elas e está aberta a quantas outras funções forem necessárias para fazer mais por elas.

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