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Meu compromisso é com a alegria e com o instante inaugural

Meu compromisso é com a alegria e com o instante inaugural

Nunca mais terei um primeiro disco. Posso fazer cem, jamais será o primeiro de novo. E essa verdade é tão bonita quanto assustadora. Todos os discos que virão terão suas histórias, mas nenhum repetirá a mágica que existe, somente, no primeiro.

Toda primeira vez é uma primeira vez. A primeira palavra, o primeiro sutiã, o primeiro beijo. A primeira vez que se anda de avião. A primeira vez que se diz “eu te amo”. A primeira bebedeira. A primeiro namorado ou namorada. O primeiro pé na bunda. O primeiro bicho de estimação. O primeiro tombo. O primeiro disco.

“Soltar os cavalos” é meu primeiro disco solo de muitas aspas. As aspas existem porque existe muita gente nesse trabalho. E dentro do dentro mais dentro de mim, jamais me esquecerei de quem me abraçou no começo dos começos.

Nesse making of conto um pouquinho sobre esse primeiro tão bonito.

Transcrição do making of:

O meu primeiro disco solo se chama SOLTAR OS CAVALOS. Eu sempre digo que essa palavra, né, ‘solo’, na verdade, é uma palavra cheia de aspas. Porque a gente nunca tá sozinha (totalmente) num processo como esse. E muito antes desse processo do meu disco começar, eu já tinha certeza que eu queria convidar, pra produzir e pra dirigir esse trabalho, o Chico Neves. Eu já tinha trabalhado junto com o Chico no processo do disco da Todos os Caetanos do Mundo, que é a banda que eu fazia parte e tinha sido muito incrível, então eu já sabia que eu queria trabalhar com ele. E o processo começou com muitas conversas dentro do estúdio, eu e o Chico a gente se reuniu muitas vezes e a gente conversava sobre a vida, e pensava… E a gente falava muito sobre o desejo de não fazer um disco como todos os outros discos, de poder arriscar, de não ser mais um disco de uma cantora… Também tinha uma vontade minha de me arriscar pelo lugar do teatro, porque eu também sou atriz… E aí o Chico me pediu uma primeira tarefa como diretor musical. Ele me falou preu fazer um roteiro, como se fosse uma peça de teatro, com os meus textos. E eu lembro dele falar assim ‘ô Julia, não se preocupa com a música não, a música a gente vai descobrir aqui, como é que vai ser.’ E eu fiz isso. Eu reuni vários textos e várias imagens num roteiro impresso, encadernado, todo bonitinho, já tinha o título de SOLTAR OS CAVALOS… Eu nem sabia direito o que esse título queria dizer mas esse título apareceu pra mim e, tinha a história também que eu nunca tinha andado a cavalo (risos)… E o Chico foi a pessoa que me levou pra andar a cavalo pela primeira vez… E levei esse roteiro pra dentro do estúdio. A gente percebeu, assim, nesse roteiro, que já tinha um lugar muito forte das mulheres, do meu íntimo. E aí a gente convidou a Luiza Brina pra fazer parte desse processo. Eu, Chico e Luiza, a gente passou vários dias dentro do estúdio, imersos, criando. Eu começava a cantarolar as palavras, a Luiza pegava o violão, já começava a tocar alguma coisa, criava uma harmonia e aí o Chico pegava outro instrumento e começava a tocar e assim foi. A gente teve uma abertura muito grande pras ideias, pro risco e isso foi muito muito bonito porque a gente foi gravando aquilo que nos motivava, assim… Rolou uma alquimia muito especial dentro do estúdio, né? Além do Chico e da Luiza, depois a gente convidou, né, o Paulinho Santos, do Uakti, pra participar, ele gravou algumas percussões. E além dele tem a participação da Letrux, que também é parceira de uma das faixas, que é “30 anos”. Tem a participação da Uyara Torrente, que é minha grande amiga, d’A Banda Mais Bonita da Cidade, da Brisa Marques, da Marcia Bonome e tem várias parcerias com outros artistas como a própria Letrux, né, que eu falei, a Mariana Volker, a Fernanda Branco Polse e até a minha mãe, a Lucia Castello Branco. É um disco que fala muito da intimidade, mas que ao mesmo tempo se comunica com uma geração de 30 anos, de mais de 30, também, tem um lugar feminino muito forte. Todos os dias eu recebo muitas mensagens de mulheres me falando que se sentem tocadas por esse disco, que esse disco trouxe muitas coisas pra elas… E depois que o disco ficou pronto, eu gravei um vídeo-álbum com 5 vídeos dirigidos por 5 cineastas que são: Sara Lana, Raquel Pinheiro, Luísa Horta, Samanta do Amaral e Julia Zakia. E teve patrocínio da Natura Musical. Todo o processo de SOLTAR OS CAVALOS foi vivido assim com muita verdade e eu acho que é essa verdade, tão bonita, que faz com que tantas pessoas se conectem com esse trabalho e que ele vai crescendo assim pelo mundo de um jeito que eu nem esperava que seria. Eu tô muito feliz com esse disco, sinto que tem muita coisa ainda pra rolar com ele e muito feliz com os encontros que ele tem me proporcionado. É isso.”

Making of SOLTAR OS CAVALOS

Vídeo-álbum SOLTAR OS CAVALOS

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