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“Árvore Estranha”: disco de Sandyalê une Nordeste com pré punk

“Árvore Estranha”: disco de Sandyalê une Nordeste com pré punk

Há pouco tempo, a sergipana Sandyalê lançou o clipe de Árvore Estranha, primeiro single do álbum homônimo que está disponível a partir de hoje nas principais plataformas digitais. Nas imagens, a mistura da psicodelia nordestina com a tradicional dança japonesa Butoh. Na canção, o deslocar de um lugar para o outro e ainda não se encontrar, “o carcará voando torto”, como ela define.

Árvore Estranha, o álbum, demorou quatro anos para nascer. “É uma metáfora, uma analogia entre as árvores que nascem no solo árido, no sertão, e as que nascem no solo fértil, na capital. Da dificuldade enfrentada por cada uma para germinar, brotar, crescer, florescer e dar seus frutos. O processo é parecido como o de gravar e lançar um álbum”, descreve. “Trouxe para mim como artista, tendo que me deslocar do sertão para os grandes centros como São Paulo, para poder trabalhar e mostrar minha arte, em um solo ‘fértil’. É uma gestação, de parto normal, demorado e doloroso, dando a importância devida a cada processo. É saber esperar. Espere”, finaliza.

Durante o processo, ela saiu de Sergipe e está morando em São Paulo. Além disso, deixou de ser companheira de Dudu Prudente, que produz o disco, para se tornarem parceiros musicais. Essas e outras mudanças, internas e externas, refletem na obra. O sentimento de não pertencimento, tormento, relações humanas e prazer feminino permeiam Árvore Estranha.

Além de suas composições, Sandyalê gravou canções de Lauckson (Lau e Eu), Fabrício Mota e Ana Clara Portela, Elvis Boamorte e assina ao lado de Dudu Prudente e Allen Alencar. Também conta com a participação de Julico (The Baggios), na faixa Pêia.

Em entrevista ao Mulher na Música, Sandyalê reflete mais sobre seus processos, suas inspirações e seu futuro.

Foto: Catarina Ribeiro
Arte: Cibele Nogueira

Árvore Estranha é seu segundo álbum e demorou quatro anos para ficar pronto. O que determinou essa longa gestação?

Dependeu de muitas coisas, principalmente por ser um trabalho independente, realizado com recursos próprios. Houveram tentativas fracassadas de captar através de editais, até que finalmente decidi me apropriar e assumir o custo. O disco retrata a minha vida, os meus momentos, o amadurecimento constante, a minha história. As músicas foram compostas em diferentes fases da minha vida e essa exposição, durante um tempo, foi difícil de encarar.

Movimento, relações e conflitos internos são temas do álbum. Em que sentido ele te auxiliou em processos pessoais?

Por se tratar de minhas próprias experiências e depois que você expressa aquela angústia para fora de você, muitas questões ficaram mais esclarecidas. Aprendi bastante durante o processo de gestação e composição. Saber esperar. Tudo tem o seu tempo. É uma árvore né? A gente tem que separar a semente, esperar ela germinar, plantar, esperar crescer, para assim colher seus frutos.

Árvore Estranha, a música, fala sobre se mudar de um lugar para outro e mesmo assim não encontrar o seu lugar. Onde é o seu lugar?

Ainda não encontrei. Estou nessa busca constantemente e ainda assim, não sei se vou encontrar. A busca maior é o ir de encontro comigo mesma e assim, acredito que tudo ficará mais fluido, aonde quer que eu esteja.

Quais as principais referências musicais que permeiam o seu trabalho?

Um pouco de cada coisa que gosto e ouço. Este trabalho vem com uma atmosfera new wave, baterias eletrônicas, sintetizadores e influências krautrock, pré punk, indie e trip hop, sem deixar as raizes nordestinas de lado. Falando em bandas, ouvi muito The Do, Hiatus Kayote, Charlotte Gainsbourg, Fishbach, Camélia Jordana… Sempre focando nas mulheres.

Quais os próximos passos?

A ideia é circular o show do Árvore Estranha pelo Brasil, principalmente nos Estados que ainda não fui. Pretendo investir em festivais internacionais também. E já estou pensando no terceiro disco, inclusive já tenho nome e ideia de estética sonora.

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