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Flavia K comenta faixa-a-faixa do álbum “Janelas Imprevisíveis”

Flavia K comenta faixa-a-faixa do álbum “Janelas Imprevisíveis”

Janelas Imprevisíveis é o primeiro álbum de estúdio da cantora e pianista Flavia K, de 22 anos. Com mais de uma década de carreira, o talento de Flavia é notável desde suas primeiras apresentações, ainda na pré-adolescência, quando pôde se aproximar e mostrar seu trabalho para alguns gigantes da música brasileira como Ed Motta, Simoninha, Seu Jorge, Ivan Lins e outros. A proximidade com artistas desse porte serviu como incentivo para Flavia persistir na música autoral e em suas composições próprias, escolhendo se dedicar a dois instrumentos essenciais para o jazz e para o tipo de som que ela pensava em fazer: o piano e a voz. Assim, a compositora passou boa parte dos últimos anos estudando e criando o que viria a ser o Vintage Futurista com o qual ela denomina o álbum Janelas Imprevisíveis, seu primeiro disco cheio, lançado em outubro. No trabalho, a matéria-prima de Flavia é bem explorada: os arranjos de voz e piano ganham destaque ao dar mais volume ao som; ainda nos arranjos, ela colaborou com inúmeros instrumentistas de renome para chegar à “arquitetura musical” apresentada no disco. Neste faixa-a-faixa feito para o Mulher na Música, ela conta sobre o processo de produção e divide inspirações e referências por trás das composições. 

1. Neon: Fiz a melodia e harmonia desta música e cantava ela numa vibe meio bolero. Levei para o Julio Mossil (diretor musical) e ele teve a ideia de trazê-la mais para um soul, com referências de D’Angelo e Minnie Riperton. A introdução que criamos traz um clima muito misterioso, então quando levei para a minha mãe, Anete K, colocar a letra já “encomendei” para que fosse uma coisa meio de suspense. Quando ela trouxe a letra pronta, fiquei emocionada demais, acho que essa é uma música que qualquer mulher pode cantar e sentir essa dor que a letra carrega.

2. Sem Glúten: Minha mãe escreveu essa letra há uns dois anos, quando começou a querer cozinhar tudo sem glúten aqui em casa. Depois de criar a melodia e harmonia, levamos esta música para o mesmo lado dos outras que estávamos produzindo, acrescentamos muitas camadas vocais e camadas de synths para dar leveza e um ar futurista ao som. Fiz questão de gravar um triângulo, que lembra o baião, formato inicial em que a música foi composta.

3. Janelas Imprevisíveis: Nesta canção, eu e Julio decidimos deixar o trio Robinho Tavares (baixo), Leandro Cabral (piano rhodes) e Vitor Cabral (bateria) bem livres. Só mostramos uma guia bem básica dessa música, sem muita definição de arranjos. O início e o final foram de total criação deles, tudo feito de forma orgânica na hora da gravação. A música eu compus no ônibus, viajando para Paraty. Gravei a melodia no celular e anotei as harmonias, não via a hora de voltar da viagem e tocar para saber se ia dar certo (rs). A letra incrível, de autoria da minha mãe, Anete K, era uma poesia dela que adaptamos para caber na melodia. Eu e o Julio pensamos nesses vocais bem brazucas e as referências maiores para esse som foram João Donato e Esperanza Spalding.

4. Canção do Sol – participação Roberto Menescal: Levei a melodia do refrão para o Julio, ele gostou e começamos a trabalhar nela. Fiz essa quando tinha 17 anos, logo após meu primeiro EP, Tudo o que Soul, de 2014. Fizemos o restante da melodia durante a produção da guia e gostamos bastante. Logo pensei em chamar o Roberto Menescal para gravar nessa, achei que combinava muito com ele. Ele gostou e sugeriu alguns acordes em momentos específicos, e é uma honra tê-lo participando dessa faixa. A letra, que é uma das nossas preferidas, foi a última a ser escrita no disco. Gravamos tudo e ficou só faltando colocar a voz com letra, só sabíamos que o tema tinha que ser o sol. Numa madrugada regada a vinho e chocolate, eu e minha mãe conseguimos, finalmente, finalizar essa letra.

5. Contramão: Minha mãe me trouxe essa letra também logo depois do primeiro EP e eu fiz a música pensando em um R&B 6/8, bem James Brown. Quando Julio e eu começamos a trabalhar nela, resolvemos trazer uma linguagem mais jazzística no instrumental e uma interpretação vocal bem blues. Contamos com a bateria de Vitor Cabral, o baixo acústico de Sidiel Vieira e o piano de Leandro Cabral, que gravou um solo primoroso.

6. Se Pá Tum Dêre  – participação Marcellus Meirelles: Cheguei um dia no estúdio para gravar e vi o Julio cantando e tocando esse tema no violão. Já estávamos querendo produzir para o disco uma faixa dedicada somente aos vocais e, quando ouvi o tema, achei que seria perfeito para a criação do arranjo de vocais. Convidei o violonista excepcional Marcellus Meirelles, que também criou junto conosco algumas partes da composição. Na criação do arranjo de vocais me inspirei em grupos como Take 6, O Quarteto e Boca Livre.

7. Tom: Essa foi a primeira música que produzimos, no início de 2018. Ela é bem R&B e acredito que tenha um lado quase pop. Gosto muito das programações que foram acrescentadas depois que a música foi gravada e acho a linha de baixo do Robinho Tavares inigualável.

8. Plural: O refrão dessa música foi criado pelo Julio no dia em que o Menescal foi no estúdio gravar sua participação na “Canção do Sol”, guardamos essa ideia para revisitar depois. Criamos juntos as outras partes e já gravamos a guia. Amo o riff de guitarra que o Renato Taimes gravou, é uma música com um clima de paz e tranquilidade, pra você ouvir quando acorda, junto com a “Tom”.

9. Atelier do Silêncio: Criamos e gravamos essa base em praticamente um dia, criei a harmonia e o Julio já veio com o beat e a linha de baixo, depois fomos acrescentando os efeitos e synths. Chamamos o Vander Carneiro, engenheiro de mixagem do álbum, para gravar uma bateria que somasse junto ao beat. Depois, convidamos o Slim Rimografia para participar e também escrever a letra do refrão. Gosto dessa faixa por conta do contraste que ela faz com o restante do disco, e o nome “Atelier do Silêncio” se dá porque tudo foi gravado no estúdio Atelier e pelas pessoas que trabalham nele: Vander, Julio e Slim. É uma pequena homenagem pelos meses que passei criando e gravando nesse estúdio com pessoas tão queridas.

10. Atrás do Vidro: Criei essa melodia em cima da letra do refrão que minha mãe, Anete K, já tinha escrito. Ela já começa tensa por conta da melodia que começa no intervalo 11+ do acorde, isso traz uma tensão, talvez quase um desconforto sonoro. É uma música reflexiva, sobre mudanças, sobre buscar um real significado para a vida. Chamamos o Renato Taimes para gravar guitarras bem rock’n’roll e também usamos distorção na voz em alguns momentos específicos.

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