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Exclusivo: ouça “Apatia”, single de estreia de Rita Zart

Exclusivo: ouça “Apatia”, single de estreia de Rita Zart

A gaúcha Rita Zart celebra um salto em sua carreira, pois, depois de quase 20 anos produzindo trilhas em seu estúdio, finalmente, se prepara para estrear como cantora e compositora com o EP O Que Range, que será lançado dia 29 de novembro. Mas, antes, ela revela a música Apatia, com exclusividade, para o Mulher na Música.

A faixa, que chega amanhã nas plataformas streaming, é uma parceria com Nina Nicolaiewsky, que Rita conheceu no Projeto Concha em Porto Alegre. Com o apoio da Natura Musical, o projeto selecionou 15 artistas e fomenta a música autoral composta por mulheres. 

Segundo Rita, Apatia é um grito de cura, um impulso para agir e criar movimento, sair da inércia, buscar novos horizontes, se jogar em novas experiências. Fazendo um paralelo com sua vida, ela conta que nos últimos anos passou por dores muito profundas, como a passagem de sua mãe, que faleceu em seus braços, por suicídio, em 2013. Após tanto sofrimento, ela teve receio de não sentir mais, de se tornar inabalável.

Leia entrevista exclusiva:

São quase 20 anos dentro do estúdio como produtora musical, mas só agora você está lançando um trabalho autoral. Por que demorou tanto tempo?

Demorei pra me sentir íntegra para assumir o desafio da exposição. Fugi pro lado do trabalho e provação da minha competência enquanto mulher que trabalhava com som aos 17 anos no início dos 2000. Isto somado à demandas familiares, sabotava a artista, autora. Na infância e adolescência ouvia muita música em casa, onde se idolatrava músicos, e alguns eram amigos da família… Porém, o fazer musical não era exatamente estimulado.  Hoje entendo que brincar e desmistificar o cantar e o fazer musical é imprescindível para que eu consiga evoluir tecnicamente. Precisei desconstruir conceitos profundos que formaram o meu caráter.

Qual a maior diferença entre trabalhar compondo para terceiros e trabalhar compondo pra você?

A principal diferença é me colocar em lugar de relevância e protagonismo. Quando trabalhava para um projeto de outra pessoa ele já chegava em mim com o “selo” de que era relevante. Comecei trabalhando com som para publicidade, que foi uma escola poderosa de comprometimento, técnica e agilidade. O cinema foi importantíssimo pra eu perceber que o meu dizer poderia importar, e que isto também é trabalho, que movimenta a economia, envolve uma penca de profissionais e gera valor e afirmação cultural pro país. O contato com narrativas diversas escritas por gente de todo tipo e lugar do mundo, que traziam luz pro seu próprio projeto, foi um caminho de volta a mim. Esse foi o processo pra voltar à minha primeira e maior vontade da vida, que era fazer a minha música. A diferença é você olhar que outras pessoas se engajam, como você já se engajou no projeto de tantas, e que a sua música passa a ser de mais pessoas (então você nem pode mais falar mal dela) (risos). Isso é muito bonito.

Apatia fala sobre depressão, ela ainda é presente na sua vida? O que você faz no seu dia a dia para lidar com ela?

Não sou essencialmente depressiva. Vivi muito tempo embaralhada com as particularidades da minha mãe, que não era exclusivamente depressiva, mas que tinha episódios intensos de alternância de humor e crises de ausência. Ela era incrivelmente doce, especial e complexa. Fui responsável por ela desde muito cedo e isso, somado à opressão e cobranças internas, me fez confusa e paralisada algumas vezes. Hoje me mantenho em movimento, entendi que corpo e cabeça são uma coisa só e precisam funcionar juntos, então fico atenta e me mexo, tomo floral e faço yoga. Entender que quando comecei a trampar o machismo rolava de um jeito muito mais explícito que hoje e identificar que me afetava foi fundamental. Só tive essa clareza pela troca com outras mulheres e depois de perder a minha mãe, em 2013. Entendi que a dor dela  tinha muito a ver com opressão, e isso me faz lutar pelo meu espaço, minha voz e não desistir da minha vida como ela. Me deu mais gana de enfrentar e fazer. Quando decidi que iria retomar meu projeto autoral me joguei a aprender o Ableton Live, ferramenta que nunca tinha usado até então, e a compor e gravar minhas demos sem depender de ninguém. Mesmo sem saber tocar piano bem, fui gravando as bases, baixando andamento pra conseguir tocar, sampleando trechos, montando beats. Foi um impulso, um basta. Um processo de tomar controle da vida. Apatia veio pelo refrão, agudo e longo que me tira do lugar de conforto. Fiz questão que fosse a abertura do EP e lanço ela como single, mesmo que a considere a mais diferente das demais, por não ter a base rítmica dos beats.

Podemos esperar por shows para os próximos meses? Quais os seus planos?

O plano agora é lançar digitalmente o EP  “O que Range”, dia 29 de novembro. Estou preparando a  performance dele ao vivo, adaptando a formação e arranjos e tenho previsão de show para início do ano que vem.
Antes disto, lançarei em janeiro o clipe de Linguagem,  dirigido pela cineasta e roteirista Marcela Bordin e com um monte de gente incrível na equipe, estrelado por mim e pelos bailarinxs Joana Selau e Douglas Jung.

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