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As origens da Obinrin Trio

As origens da Obinrin Trio

Desde 2016 que as minas da Obinrin Trio vem tocando e cantando e nesse gingado conquistando cada vez mais espaço na cena independente brasileira. De um encontro informal ocorrido naquele mesmo ano durante o Carnaval, as irmã Lana e Raíssa Lopes, com sua amiga Elis Menezes, não pararam de se apresentar, a maioria das vezes em shows nos quais eram sempre convidadas.

Com estas apresentações o público foi despontando e, por parte dessa galera, surgiram os inúmeros pedidos pelas músicas do trio nas plataformas digitais – até o momento, elas possuem somente um compilado ao vivo (Showlivre) e os singles de estúdio “Solidão vira revolta” e “Aquele Gingado”.

A fim de oferecer essas canções em novos arranjos e em formato gravado, a Obinrin Trio abriu uma campanha de financiamento coletivo para a gravação de Origem, primeiro álbum delas. No ar, via Catarse, a campanha traz recompensas variadas com o jeitinho delas, desde os incensos naturais feitos pela Elis, até um bar com as três.

A pedido da SÊLA, Lana, Raíssa e Elis listaram abaixo três momentos marcantes da banda que demonstram alguns dos passos já dados por elas até aqui. Neste momento, com a campanha no ar, elas precisam que mais pessoas deem esse passo junto a elas, então quem ficou na vontade de somar na campanha, é só acessar este link aqui: https://www.catarse.me/obinrintrio

Raíssa Lopes por Amanda Rodrigues

Primeiro Show”, por Raíssa Lopes

Nosso primeiro show foi uma experiência a parte… Inimaginável, desde o primeiro segundo em que recebemos o convite. Uma ligação de uma amiga às 3h30 da manhã de uma quinta-feira, por acaso a quinta que antecedia ao dia do show. Curiosamente, estávamos nós três juntas atendendo o telefone. Então, de repente, na noite seguinte íamos abrir o show do Tião Carvalho, um dos mestres da cultura popular no Brasil, com um show e uma banda que haviam sido pensados na madrugada anterior. Nessa noite sem dormir, surgiu o nome da Obinrin e um repertório bem diverso, onde misturamos Chico César com Tulipa Ruiz, Perotá Chingó, Nação Zumbi, Gal, entre outras referências. Além de uma música nossa também, resultado da imersão da madrugada, que hoje é o primeiro single de um disco que está pra sair do forno, “Aquele Gingado”. Obinrin nasceu assim, desse susto necessário, que tá perto de completar quatro anos de muito trabalho e muitas conquistas.

Lana Lopes por Amanda Rodrigues

“Primeira Música”, por Lana Lopes

“Aquele Gingado” surgiu do nosso primeiro encontro como banda, uma explosão de ansiedade, amor, afeto e um pingo de carnaval… Lembro bem que  Elis começou a puxar um violão numa vibe meio latina, eu pendurada na alfaia, embalei na onda dela e passamos, o que me pareceram horas, tocando. Até que foi vindo a letra, meio num improviso, onde eu, a Ra e a Elis colocamos um pouquinho do que cada uma tava sentindo naquele momento. tudo isso, numa madrugada só!  Foi nossa primeira música juntas, marcando o começo de tudo e agora é a primeira faixa lançada e que abre caminho pro disco que vem vindo!

Elis Menezes por Amanda Rodrigues

“Primeiro Clipe”, por Elis Menezes

Quanto vale a vida de um preto pra você? Oie, vim te contar como foi o processo do nosso primeiro clipe, “Solidão vira Revolta”.  Pra conseguir ter esse clipe maravilhoso, nós convidamos algumas amigas divas do cinema nacional pra dar uma ajuda. Desde a direção até a edição e cor, só mulheres fodas. A ideia do clipe surgiu de uma angústia que sei que minha mãe já sentiu muitas vezes, e ainda sente (infelizmente): a incerteza da mãe preta de não saber se o seu filho volta pro lar. O que eu mais gostei nesse processo foi que consegui aproximar a minha família da minha arte, então quando você vê aquele clipe, tá vendo minha vida por trás da história de ficção também. Aaah, tem uma coisa maluca que aconteceu nesse clipe: ele foi gravado na época da greve dos caminhoneiros, então foi muito difícil conseguir gasolina para se deslocar pela cidade. No fim deu tudo certo, a nossa senhora das caminhoneiras estava do nosso lado! Me sinto feliz por ter contribuído pra pauta do movimento negro, vidas negras importam e merecem ser vistas e terem sim lugar de destaque na arte. Mil beijos.

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Escrito por

Formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, no momento Izabela trabalha como assessora de imprensa musical. Viciada no assunto, consome música o tempo todo, seja em discos, livros, filmes e ingressos. Muitos ingressos. Feminista e fã de Patti Smith, Izabela colabora no Mulher na Música a fim de escrever boas histórias sobre mulheres incríveis, exatamente como você e todas nós.

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