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Pistinha, amigos e cantoria: Vanessa Bumagny estreia clipe de “Cinema Ilusão”

Pistinha, amigos e cantoria: Vanessa Bumagny estreia clipe de “Cinema Ilusão”

Vanessa Bumagny, atriz e cantora, é conhecida na cena autoral paulistana desde 2003, quando lançou seu primeiro álbum, De Papel. De histórico teatral, sua voz e interpretação exploram espaços e intensidades que nem sempre se vê e ouve por aí.

Suas referências não ficam apenas na estante de discos ou no rádinho de pilha. Vanessa também traz sua estante de livros para seu universo musical, como ficou evidente no último álbum divulgado, O Segundo Sexo, de 2014 e que traz claras conexões com a clássica obra feminista de Simone Beauvoir.

Neste 2020, em meio a muitas incertezas e uma pandemia, Vanessa não deixou de cantar em voz alta – para alegria do público e como resistência pessoal. Semanas atrás botou seu bloco novamente na rua com o clipe de “Cinema Ilusão”, primeiro single do próximo disco de inéditas que vem vindo aí.

A música, parceria dela com Zeca Baleiro, traz também a voz de Chico César, outro grande parceiro musical de sua carreira. No clipe, os três se juntam no aconchegante palco do Picles, pistinha-estúdio do produtor musical Rafael Castro, que assina a direção musical deste novo trabalho.

Em “Cinema Ilusão” a artista se cercou de amigos para um momento de descontração e alegria – algo que agora nos parece distante, mas que de alguma forma se fará sempre presente.

Ps.: o clipe foi gravado bem antes do início do isolamento social causado pela expansão da Covid-19 – a aglomeração que rolou ali foi pra lá de saudável.

Em entrevista à Mulher na Música, Vanessa trocou uma prosa sobre esta nova fase e outras ideias. Dá o play no clipe e vem ler – isto é, dançar! – com a gente:

Como está sendo lançar esse single, após alguns anos sem lançamentos? O friozinho na barriga ainda existe?
Sim, o friozinho na barriga que eu gosto de chamar de borboletas está aí, firme e forte! rs É uma delícia lançar uma canção, tem aquele medo de pensar que pode ser que ninguém ouça, que ninguém goste, mas quando eu lanço é porque acredito muito e no caso dessa estou feliz demais por ter juntado meus parceiros e amigos de tanto tempo, ter o Chico e o Zeca do meu lado dá uma força extra pra voltar.

O processo criativo deste disco tem rolado como e desde quando? É um processo mais recente ou você já vinha tendo ideias durante esses últimos anos? E como você chegou até o Rafael Castro para essa produção?
Eu queria fazer um disco já faz uns dois anos mas não encontrava alguém que eu sentisse que era a pessoa para produzir, daí o Rafael me convidou para participar de um disco dele de produtor, a gente faria uma faixa minha pra esse disco, fizemos “Quem ama sofre” (Vanessa Bumagny/Luiz Tatit) e eu curti tanto o resultado que quis ela pra mim, daí dei “Cinema Ilusão” pro Rafa colocar no disco dele e quando ficou pronta quis pra mim de novo. Recentemente perguntei se o Rafa queria alguma outra pro disco dele e ele disse que nem adiantava porque eu ia querer de novo pro meu!

Qual a relação da sua arte com as obras de Simone de Beauvoir?
A Simone de Beauvoir que eu li em 2013 mas deveria ter lido muito antes, foi a pessoa que traduziu e explicou muitas das angústias que sentia e sinto por ser mulher nesse mundo, tudo que eu fiz depois dessa experiência profundamente transformadora de ler O Segundo Sexo, passa por aí. Até canto canções que compus antes dele mas já entendo de onde elas vem, e daí faço uma resposta libertadora, é como se algo em mim dissesse “ok, você é essa pessoa ultra romântica, mas você também sabe que isso é uma construção que vem da sua socialização”. Nesse disco estou gravando “O Segundo Sexo 2″, que fiz com a Heloiza Ribeiro. A letra é toda inspirada no livro, tem até a frase ‘Não se nasce mulher, torna-se”.

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