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Andrezza Santos lança clipe em Libras e fala sobre novo álbum, Eutrópica

Andrezza Santos lança clipe em Libras e fala sobre novo álbum, Eutrópica

Prestes a dar início ao lançamento do álbum Eutrópica, Andrezza Santos estreia o videoclipe de “A gente ia longe”, primeira faixa apresentada do novo trabalho, que foi formatado como uma trilogia e terá suas três partes lançadas até o final de 2021. O clipe já adianta a sonoridade e estilo do que vem pela frente no disco, “uma colcha de retalhos com texturas e cores diferentes”, como diz ela em nossa entrevista.

“A gente ia longe” reúne o tango, a bossa, o rock e samplers para dar o clima de fim de romance narrado pela letra e interpretado no videoclipe por Andrezza e o ator surdo Anderson Silva, em uma encenação passional. O vídeo oferece tradução em libras e terá todo seu material de divulgação nas redes sociais seguindo as diretrizes da campanha nacional #pracegover, chegando também aos deficientes visuais.

A abordagem mais inclusiva proposta no vídeo ainda envolve movimentar a cadeia produtiva da região de Juazeiro e todo Vale do São Francisco, norte da Bahia, onde reside a cantora desde 2015, e onde, desde então, atua como professora de música e desenvolve sua carreira autoral. 

Na entrevista, Andrezza conta sobre seu envolvimento com a música e sua trajetória até chegar ao lançamento do disco Eutrópica, segundo álbum dela, além de comentar sobre a estreia do clipe “A gente ia longe” e da série em vídeo que ela está lançando junto ao álbum. A primeira parte de Eutrópica será lançada em 20 de maio. 

Leia a entrevista abaixo:

Mulher na Música: Você está se preparando para o lançamento do disco Eutrópica, mas quais são seus trabalhos autorais anteriores? Qual a sua história e relação com a música?

Andrezza: Posso dizer que me visto de música todos os dias pela manhã. Ela é meu trabalho, minha formação, minha expressão, meu ombro amigo. Minha relação com a arte é desde a infância, pois eu gostava muito de me expressar (seja lendo, dançando e dublando Sandy e Júnior) e meus pais sempre me incentivaram nesse sentido. Mas foi aos 6 anos que iniciei meus estudos de violão. Com 3 meses de aula, eu já estava me apresentando na igreja e na escola. Apesar das dificuldades encontradas na área da música, foi aos 13 anos que tive certeza do caminho que escolhi após participar do programa de calouros Cantando no SBT, em 2011. A partir daí, comecei a me apresentar em CEUs, SESCs, casamentos e barzinhos, buscando sempre o aperfeiçoamento na minha área de trabalho. Entretanto, quando me mudei para o Vale do São Francisco, no começo de 2015, foi que me dei conta do quanto eu necessitava produzir trabalhos autorais. Quem fez a minha ficha cair neste sentido foi meu querido poeta amigo Manuca Almeida. Juntos ganhamos o prêmio de segundo lugar e melhor intérprete no Festival Edésio Santos da Canção, de Juazeiro, nos anos de 2015 e 2017. Logo, em 2018 comecei a trabalhar no meu primeiro álbum, Alto Lá. Por ser o primeiro em que tenho minhas próprias composições em parceria com artistas incríveis, ele tem um espaço muito especial no coração. Com ele, participei de festivais em Minas Gerais, Salvador e Juazeiro (levando três premiações com a canção “Não Passarão”), conferências de música como Porto Musical e quatro videoclipes que estão disponíveis no meu canal do YouTube. Além disso, lancei dois singles: “Amor de Portelinha” (Jan/20) e “Vácuo” (Set/20).

Mulher na Música: Você dividiu o novo álbum em três atos e vai lançar isso aos poucos durante o ano, começando em maio. O que você traz para esse trabalho? Qual a mensagem dele e como ele é musicalmente? Há quanto tempo está desenvolvendo essa ideia e por que dividi-la em uma trilogia?

Andrezza: Imagino a minha vida e trabalho como uma colcha de retalhos com texturas e cores diferentes. Então, há um tempo, eu já sentia a necessidade de trazer mais a minha própria narrativa, minha história, enquanto temática de disco, reafirmando este conceito também na minha música que naturalmente já tem a fusão de estilos musicais, do rock’n’roll ao arrocha, do tango à bossa nova. Entretanto, o disco só começou a criar forma no início do isolamento social, em 2020, por meio de pesquisas através de memórias e muitas conversas com minha família e com o produtor cultural Geraldo Júnior. Eutrópica pra mim é o fruto dos movimentos e observações enquanto uma artista itinerante, que sempre esteve às margens: da periferia de São Paulo para o semiárido nordestino, acumulando vivências, histórias e trocas, junto às influências culturais dos ambientes por onde passei. Nasce assim a minha forma de pensar, viver e enxergar o mundo. Então decidi dividir em uma trilogia para que as pessoas pudessem transitar junto comigo entre cada paisagem sonora (Sapopemba, Carranca e Atlântica), dando o gostinho de “quero mais” a cada parte.

Mulher na Música: O primeiro videoclipe, da música “A gente ia longe”, acaba de estrear e foi uma produção que reuniu muitos agentes culturais na cidade de Juazeiro (BA) e região. Como é atuar na música fora dos grandes centros? Qual o espaço dado para novos artistas que exploram estilos tão distintos entre si?

Andrezza: É uma mistura de dor e prazer, pois ao mesmo tempo que a cena artística do Vale do São Francisco é bastante aquecida e vasta, infelizmente não há políticas públicas que incentivem as produções feitas aqui normalmente. Com a Lei Aldir Blanc, vejo outro cenário, mas infelizmente não sabemos até quando será assim. Isso acaba dificultando a sustentabilidade dos artistas e do mercado local a curto e longo prazo, mas mesmo assim, a galera dá um jeito e produz obras de muita qualidade artística, passeando não apenas por elementos musicais da cultura popular, mas também ressignificando conceitos. Aprendi que a música regional é feita pelas pessoas que moram aqui, seja tocando reggae, rap, R&B, jazz ou samba. Não é porque eu moro no Nordeste que eu necessariamente preciso cantar forró. E se eu quiser, está tudo certo também! haha. É importante lembrar que o Nordeste é muito mais do que aquele que passa na TV.

(Foto – Adriano Alves)

Mulher na Música: No clipe, dá para perceber que a real protagonista da história é a linguagem de sinais, usada por você e pelo ator surdo Anderson Silva. O vídeo tem ainda tradução em libras e é uma maneira que você encontrou de tornar sua música mais inclusiva e acessível a grupos minoritários, como os deficientes auditivos. Como essa ideia surgiu e qual a motivação que você teve para colocá-la em prática?

Andrezza: Essa ideia surgiu a partir dos diretores, Pablo Luan e Adriano Alves, e eu nem pensei duas vezes na hora de topar, pois na faculdade (sou graduada em licenciatura em música), tive dois semestres de Libras e reconheço o quanto existe pouco acesso de pessoas surdas em cursos, eventos e ações artísticas. Graças ao incentivo da Prefeitura Municipal de Juazeiro via Lei Aldir Blanc Bahia, conseguimos tirar essa ideia do papel e trazer não apenas Anderson mas também Rejane Silva, intérprete de Libras. Ela nos acompanhou durante as gravações e interpretou a canção lindamente para o clipe. Para além das gravações, muito aprendizado nos bastidores.

Mulher na Música: Você produziu também uma série em vídeo que está sendo lançada com um capítulo por semana nos seus canais oficiais (YouTube e Instagram) até o dia de lançamento da primeira parte de Eutrópica. Como foi pensar e produzir um conteúdo adicional ao disco? E como foi esse processo do audiovisual para você, muito diferente do de produzir só a música?

Andrezza: A série surgiu com a necessidade de contar histórias que se alinham com o conceito desta primeira parte do disco, por meio de temas que vivenciei morando em São Paulo. Esse “esquenta” tem o intuito de não apenas me aproximar mais do meu público, mas também para mostrar o quanto os processos são tão importantes quanto os resultados. 

Neste sentido, a presença de Fernando Pereira e André Vitor Brandão foi muito importante, pois o olhar de cada um para o roteiro trouxe leveza e muita criatividade, utilizando, por exemplo, técnicas de animação e foto-colagens para deixar as histórias mais interativas e gostosas de assistir. Além disso, a participação de alguns amigos e amigas em cada episódio foi muito importante pra mim porque cada um tem uma presença especial na minha vida.

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