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Afeto, música e leituras astrais: Roseane Santos comenta o lançamento do EP Livro Vivo

Afeto, música e leituras astrais: Roseane Santos comenta o lançamento do EP Livro Vivo

Inaugurando a trajetória solar do projeto Livro Vivo, Roseane Santos, uma das vozes mais marcantes do cenário cultural curitibano, se une ao cantor, compositor e produtor Luciano Faccini e à astróloga Faetusa Tirzah para mostrar a primeira parte da obra – o EP Livro Vivo, que acaba de ser lançado e possui 4 canções compostas por Luciano a partir de leituras astrais feitas de maneira poética por Faetusa.

Os textos, agora musicados, fazem parte de um vasto e contínuo trabalho que Faetusa tem realizado diariamente desde 2019. A proposta consiste em escrever um horóscopo a partir da leitura do céu de cada dia. De modo muito orgânico, Luciano começou a compor canções a partir destes textos e foi no encontro com Roseane que as músicas de fato amadureceram.

O resultado de tal fusão literária, astrológica, visual e cancioneira é um apanhado musical envolto em ludicidade, característica também presente no álbum de estreia de Roseane Santos, Fronteiriça (2020). Livro Vivo é uma brincadeira entre os astros e a língua, sugerindo caminhos a se percorrer. Mulher na Música conversou com a artista sobre a novidade, os astros, seu papel na música e o som que se faz afeto.

Roseane Santos por Miro Spinelli e Cochilo Taquieta

A astrologia se manifesta muitas vezes de maneira pouco acessível, tanto para quem quer atendimento, quanto para quem estuda. Como surgiu seu interesse pessoal por astrologia e como foi a trazer para o projeto Livro Vivo?

Lendo aqui sua pergunta, me dei conta que há mais de 20 anos eu flerto com a astrologia.  Uma amiga do rio, Daniela Refo, foi a primeira pessoa que fez meu primeiro mapa astral e era a pessoa que eu conhecia estudiosa das estrelas como boa matemática que é. Porém, eu nunca me aprimorei. Sempre ligada, mas mais ouvia e fazia as combinações dentro da minha vida do que propriamente me propus a entender. Estudar. Eu sou um tanto prática, touro com touro.

Sim, esses estudos são caros e eu normalmente quando recorria pegava um desses sites que te dão possibilidades de leituras bem limitadas de graça. A astrologia sempre esteve perto mas eu não sei se de fato eu dava a ela o devido valor. Agora com a Fae, vem Livro Vivo. Olho pra ela com mais nobreza. Um dos trabalhos que fiz com ela, a medicina da lua, foi feita uma leitura pra mim e dessa leitura e do meu processo geral surgiu uma canção que tá no meu primeiro disco, Fronteiriça. Chama-se Valsa da Lua. Foi a primeira vez que  cantei um céu. 

O Livro Vivo veio com o convite do Lu (Luciano Faccini, parceiro de projeto) pra cantar as canções que ele andava compondo a partir dos poemas da Fae. Agora na verdade não me lembro se ele me convidou ou se eu me convidei (rs). Deve ter sido um pouco dos dois. Mas desde o início foi mágico pra mim cantar esse céu de cada dia. Foi e é um baita presente.

Dentre tantas formas de se fazer música, ela é também ferramenta de conscientização e educação social. Você como mulher preta sente que deve seguir por este caminho e usar sua música como um instrumento transformador?

Olha, eu por ser preta e mulher fazendo música já me sinto transformada e transformando. Dentro das coisas que acredito. Claro, estamos aí há plenos pulmões bradando aos quatro ventos pela nossa visibilidade. Penso nos processos de instrumentalização através e com a música mas ainda não cheguei lá. Apesar da minha formação como educadora, ainda caminho em terras que não chegaram aí de fato. Mas sigo não querendo estar invisível e isso, com certeza, já é alguma coisa no processo todo. Sim! Música é afeto! Música é respeito. Eu acredito na música que faz a gente reprogramar rotas a todos os momentos Nas nossas escolhas de como fazer e de como levar pro mundo.

Música também é afeto e vemos muito disso no seu trabalho e nas suas relações com Luciano Faccini e Faetusa Tirzah. Como unir luta e amorosidade?

Eu e Faetuza temos uma relação de muitos anos Cercada de arte, amor e muito choro. A gente chora de emoção de tristeza mas a gente tb gargalha. A Fae é minha gargalhada favorita. Com o Luciano eu tenho a mesma relação de amor, porém, num grau mais íntimo porque nosso tempo juntos às vezes ultrapassa. Trocamos muitas coisas e também choramos e gargalhamos bastante. Mas brigamos também, porque passamos muito tempo gestando nossos projetos e gestar projetos é dar as mãos e sair em queda livre. Normalmente a gente tem pouso tranquilo, mas às vezes a gente toma uns sudoestes inesperados que dá até dó de nós. Eu amo estar com eles em Livro Vivo.  Esse disco é meu presente de cura.

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