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MM entrevista: II Mostra Elas em Cena joga luz na disparidade de gênero dos line-ups de festivais

MM entrevista: II Mostra Elas em Cena joga luz na disparidade de gênero dos line-ups de festivais

Encontros inéditos entre musicistas, compositoras e intérpretes em diálogo criativo entre suas trajetórias por meio da música – a II Mostra Elas em Cena pretende movimentar o cenário musical com recorte feminista. Entre os dias 27 a 31 de Outubro, a Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) sedia o evento que será transmitido ao público de maneira totalmente online e gratuita. Contando com cinco shows, quatro oficinas e podcast com as artistas participantes, a Mostra é uma criação e produção de Aline Fernandes, Ana Lima e Pamela Gopi.

Mais do que entreter, o evento que recebe espetáculos a partir dos encontros entre as artistas Ná Ozzetti, Patrícia Bastos e Socorro Lira; Gloria Bomfim e Nega Duda; Eva Figueiredo e Maria Ó; Zezé Motta e Clarianas e Irene Atienza e Lívia Mattos carrega consigo uma importante provocação: a disparidade de gênero que ainda impera nos line-ups de festivais nacionais. Conversamos com as organizadoras da II Mostra Elas em Cena para saber como pensam suas programações, o que intentam e o que têm ouvido recentemente. É possível ler na íntegra abaixo:

1 – Como pensaram a curadoria desse evento?

Pamela: A curadoria da II Mostra Elas em Cena foi pensada pelo prisma das trocas musicais de artistas que nos influenciam, que nós escutamos em nosso dia a dia e pensamos em propor a junção nessa instabilidade poética de universos diferentes, mas com similaridades. Arriscamos, acreditamos que pudesse dar samba, e deu… conseguimos unir música brasileira com poesia catalã, dois universos distintos do samba do mesmo recôncavo baiano, líricas paulistanas com cancioneiro do sul do Brasil, universos diferentes que se unem inclusive na linguagem artística, como foi o caso do show das Clarianas com Zezé Motta, as quatros são atrizes de diferentes gerações e também cantoras e foi um encontro muito potente. Assim também tivemos o trio Ná Ozzetti, Socorro Lira e Patrícia Bastos, São Paulo, Paraíba e Amapá nesse encontro multicultural que ficou lindíssimo!

Aline: É sempre um desafio, mas acreditamos na nossa intuição artística e musical. Fazemos a curadoria entre nós três (Ana, Aline e Pamela) o que garante, de certo modo, uma maior pluralidade no Line UP, uma vez que trazemos referências e gostos musicais distintos. Temos um olhar que também procura traçar uma representatividade da sociedade brasileira, dando espaço para diversas artistas, esse é o foco e a cada edição acreditamos que vamos percorrendo cada vez mais e melhor esse caminho.

2 – Quais caminhos possíveis para combater a desigualdade de gênero no meio musical?

Pamela: Toda e qualquer desigualdade seja de gênero, raça, social só é possível de ser combatida se falarmos delas e assumirmos que elas existem e impactam muitas vidas. Escolhemos falar dessas desigualdades, mas mostrando que é possível fazer um festival inteirinho de mulheres, da técnica de luz, som, roadie, cenografia, produção e às artistas e musicistas. Sonhamos com o dia que não seja mais preciso realizar festivais apenas de mulheres para mostrar suas potências e que essas sejam valorizadas em todos os meios. Mas por enquanto é necessário erguermos as vozes e ocupando os diversos espaços, ratificando que somos mulheres e podemos estar onde quisermos.

Aline: Concordo com a Pamela, e como disse a Socorro Lira, na sua participação, não se trata somente de um festival de música, mas também de um ato político. E essa é a forma que encontramos de fazer esse ato, de falar da presença (ou a falta de presença) da mulher nos eventos musicais e artísticos como um todo. Para além de trazer à tona o assunto e explicitar essa desigualdade, é também um laboratório dessa experiência, muitas das artistas relataram que nunca haviam tocado em show em que a roadie e técnica de som eram mulheres e que a experiência foi ótima. Também potencializamos os encontros, formamos laços e redes profissionais e pessoais que possuem uma potência de mudança muito grande.

Ana: Contratar e remunerar dignamente as mulheres que trabalham no cenário musical. Por se tratar de uma área em que grande parte das pessoas são prestadoras de serviço é necessário tornar as relações mais profissionais, no sentido de assegurar os direitos das trabalhadoras. Além de fortalecer e difundir as iniciativas realizadas por mulheres.

3 – Para além das atrações da II Mostra Elas em Cena, que mulheres da música vocês têm escutado? 

Pamela: Tenho escutado muito as artistas da mostra, mas também tem tocado em meu streaming: Luedji Luna, Josyara, Ily, Gal Costa, Alessandra Leão, Isadora Melo, Raissa Bithar, Juliana Linharez.

Aline: Para além das artistas da mostra nas quais estou viciada, escuto muito: Maria João, Ana Maria Carvalho, Ana Flor de Carvalho, Janayna Pereira,  Cátia de França, Tamires Thanous e Consuelo De Paula.

Ana: Brisa Flow, Juçara Marçal, Cátia de França, Jup do Bairro, Erykah Badu, Femina, Ana Tijoux, Alzira E, Lianne La Havas e Nathy Peluso.

SERVIÇO – II Mostra Elas em Cena

Oficinas virtuais
16/10: 10h – 12h Cantadeiras Urbanas com Clarianas

16/10: 15h – 17h Samba de Roda com Nega Duda

23/10: 10h – 12h Os Cantos Populares da Espanha com Irene Atienza

23/10: 15h – 17h O Canto do meu Norte com Patrícia Bastos
*O início das inscrições será divulgado via Instagram e Facebook da Mostra na primeira semana de Outubro.

Shows às 20h no canal de youtube do Centro Cultural São Paulo

27/10: Ná Ozzetti, Patrícia Bastos e Socorro Lira

28/10: Gloria Bomfim e Nega Duda

29/10: Eva Figueiredo e Maria Ó

30/10: Zezé Motta e Clarianas

31/10: Irene Atienza e Lívia Mattos

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