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As novas ondas de Victoria Saavedra

As novas ondas de Victoria Saavedra

O continente sul-americano desponta poesia por toda sua extensão. Se no Brasil nossa fantasia é atravessada pelas matas, rios e mares, na Colômbia o caribe e seus amores exaltam boas ficções e músicas até hoje. Nessa fusão de idiomas e ritmos, a voz de Victoria Saavedra surge para nos abraçar com seu novo single e clipe, “A(Mar) é Maré”:

Colombiana radicada no Brasil, a Victoria já apareceu por aqui, um tempinho atrás, com seu single anterior, o contagiante “Peripécias”. Quando soubemos que ela estava de volta e com mais uma novidade de tirar o folego no ar, enviamos um convite para um novo papo com ela, que conversou com a SÊLA – Mulher na Música por e-mail. O resultado do papo você confere abaixo:

Parabéns pela música nova, Victoria! Ficou linda de ouvir e o clipe lindo de ver. Queremos saber de onde surgiu a inspiração da letra e como o conceito do clipe foi construído em cima dela, nos conta?

A minha relação com as águas no geral é muito forte e o mar particularmente e por si só já é inspirador. “(A)Mar é Maré” fala um pouco da essência do mar e dos amores, duas forças superpotentes que acredito que carregam tempestade e calmaria na mesma proporção. E eu não falo precisamente de amores românticos, é mais sobre a procura do amor por mim mesma e tudo o que isso carrega: cair, limpar, chorar, voltar, recomeçar… enfim. Primeiro surgiu o refrão, e ele mesmo virou um jogo de palavras, que super dá para mudar a ordem das palavras: (mar) e (amar) e vai ter a mesma força e verdade (para mim) no significado.
Depois, testando formas e melodias, decidi que queria que fosse um canto responsorial e a partir daí os versos surgiram bem rápida e organicamente. O clipe foi mega emocionante porque consegui coincidir em um momento em que eu estava na Colômbia, e bom, faz 12 anos que tudo o que eu produzo é 100% no Brasil, e este disco tem a intensão de me inserir no mercado colombiano e conseguir misturar mais os dois mundos. Então começou por aí, conhecer e armar uma equipe que sem conhecer muito meu trabalho abraçasse o projeto. E bom, a equipe é um luxo na verdade. Para a construção do clipe em si o mais importante era a escolha das cores, precisava ficar clara a representação das águas

Você fala muito dessa fusão Brasil – Colômbia nos seus processos criativos e nesses dois últimos anos a gente observa uma tensão política e social bem distinta nesses dois países. Sente que de algum modo suas criações reverberam os efeitos dessas tensões sociais sobre você e sua arte?

Não sei se concordo com que a tensão política e social seja diferente, realmente acho que os dois países estão passando por momentos muito delicados, o que sim considero é que o foco maior é sobre o Brasil pelo fato de já ter sido considerado uma potência nos países latino-americanos, e o que tem acontecido nos últimos anos realmente tomou proporções absurdas. A Colômbia não escapa de estar passando por um momento sumamente violento e de absurdos no contexto político, o que acontece é que os olhos do mundo não estão nesse momento 100% apontando pra lá, o que  faz com que o pais e os governantes só consigam se esconder 

No comunicado de imprensa a gente compreendeu que quando você veio morar no Brasil houve uma pesquisa bem profunda nos ritmos locais. Queria saber como foi esse momento pra você, de passar a se envolver mais com a música brasileira e o que foi que mais te chamou atenção nisso tudo.

A relação com a música brasileira vem desde criança, e mais do que só a música brasileira, acho que é o meu interesse pala música latino-americana. Eu escutava muita música de protestos/de esquerda, então eu ia de Mercedes Sosa, Pablo Gallinazus, até Caetano, Gil, Ana y Jaime, música cubana sem fazer muita ideia de onde fosse. Posso dizer que com 5 ou 6 anos de idade eu não fazia a menor ideia do que falavam as letras, mas o que é um fato, é que eu cantava loucamente as melodias e essas melodias significavam muito para mim. Gostava meeeeesmo.  Aos 18 anos ganhei do meu pai o primeiro disco da Céu e ele falou: “os cachos dessa menina parecem com os teus, e acho que vc vai amar a música que ela canta”. Quatro anos depois disso estava eu em São Paulo, juntando paixões que a música me apresenta e que hoje para mim são fundamentais para compor. Entre eles está a parte rítmica afro-latina, e a letra.

Na contramão de um sistema produtivo ágil e até mesmo irreal em termos de tempo, você parece estar desenvolvendo um projeto mais espaçado, com calma e lançamentos pontuais. Foi uma escolha proposital ou se deu por outros contextos? E a partir disso, quais aprendizados você vem tirando desse período de paralisação do setor cultural e de eventos? Deu pra se virar com outras atividades?

O espaçamento nos lançamentos e no cronograma que estava planejado se deu por motivos de força maior, uma perda muito difícil na minha família. Com certeza não escolhi e realmente adoraria que tivesse sido de outro jeito, mas a música tem começado a chamar de volta. A ligação que tenho com a música é tão forte como a ligação que tenho com a pessoa que hoje não está mais comigo neste plano. É meu lar e o lugar onde consigo ser. Aprendizados iiiinfinitos, mas um dos principais é precisamente começar por valorizar a minha carreira e tudo o que tenho construído, esclarecer onde e como quero estar com o que faço. E sim, consegui dar um jeito com atividades paralelas.

Como estão seus planos para 2022 e o que você já vislumbra desse momento de retomada. Teremos show da Victoria em breve?

O primeiro plano para 2022 é o show de lançamento do meu segundo disco Peripécias, até lá vou mostrar mais algumas músicas que fazem parte desse trabalho. E bom, cada passo que estou dando nesses momentos de retomada é precisamente para me fortalecer e poder curtir e receber plenamente todos os sonhos e shows que estou pedindo para o universo. 

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