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Auto-entrevista: Francesca Pera e Karola Balves comentam single Chorey, parcerias e criação

Auto-entrevista: Francesca Pera e Karola Balves comentam single Chorey, parcerias e criação

Após A Transe estrear com o elogiado álbum Hora Dourada (2019) e ter circulado com o EP Bad Vibes de Casal (2020) em palcos como o da SIM São Paulo, o duo capixaba de folk-tropical e música brasileira contemporânea mostrou há pouco o hipnótico single Chorey com clipe e participação da dupla Borabaez.

A conexão formada entre Francesca Pera e Fernando Zorzal, a dupla à frente da Transe, com o duo Borabaez se deu quando ambos moravam em Vitória, Espírito Santo. A recém lançada dupla parceira traz influências da música brasileira e de ritmos baianos e se prepara para lançar seu primeiro álbum. Borabaez é formado pela cantora e compositora baiana Karola Balves e pelo produtor musical e instrumentista capixaba Henrique Paoli.

Provocadas pelo Mulher na Música, Francesnca e Karola bateram um papo sincero sobre carreira, parceria, família e criação/critivadade. Vocês conferem na íntegra abaixo.

Karola Balves

Francesca entrevista Karola

– O que significa Borabaez? Como surgiu a parceria entre você e seu companheiro Henrique? 

Menina, tô pra te dizer que “Borabaez” é nome próprio criado mermo, pra ter o significado que a gente precisar que tenha nos mais variados momentos dessa vida, hahaha. 

Minha parceria com Henrique na música, surgiu acho que assim que eu aceitei que era compositora. Como não foi um processo fácil, foi com a ajuda de amigas e dele que consegui entender muito sobre. Sempre admirei a forma como ele se expressa artística e tecnicamente como músico e produtor, já confiava só de ver os resultados, mas também os processos dele principalmente trabalhando com mulheres na música. Já eu, se vou parar pra fazer uma coisa, vou fazer na moral, então sou meio exigente mas ao mesmo tempo também não gosto de fazer nada sozinha. E Henrique não é diferente, sempre se doou muito em todos os trabalhos que participou, então sabíamos que tinha chance de funcionar criar um trabalho juntes: foi juntar fome com vontade de comer.  

– Você começou o projeto Borabaez no Espírito Santo e agora está de volta a sua cidade natal na Bahia. A mudança de territórios influencia/influenciou na criação e concepção da sua música? 

Influenciou desde o começo, ouso até afirmar que tudo começou por conta disso! Parece que vai ser um grande sonho mudar do interior do nordeste pra uma capital no sudeste (mesmo que cidades próximas). Mas eu não cabia muito ali, eu me sentia tão incompreendida, desde o meu jeito de falar, de me expressar e até de cozinhar rs. Quando eu vi já tava muito me encaixando (conseguindo às vezes) nessa outra cultura, e me afastei bastante de mim, até entender que eu devia caber onde eu bem entender que quero caber mermo. O processo como artista nasceu com essa retomada, eu acho, de me conhecer mais e de não esquecer quem eu sou, de onde eu vim… Boa parte das músicas que eu compus até hoje falam sobre isso. 

– Gosta de fazer parcerias? Tem algumas composições com Henrique e também com o seu pai, como é dividir esse processo em família?

Eu gosto de verdade! Apesar de ter poucas parcerias, por enquanto. Uma vez uma amiga me falou que fazer música com outra pessoa é dividir muita intimidade, eu não tinha muito essa experiência na época e hoje confirmo totalmente, é bem desafiador dividir intimidade, mas compensa muito! Chorey é um exemplo dos bons dixto. Acaba que com quem eu conheço mais, por exemplo o Henrique, é mais fácil. Com o meu pai já foi no susto, mas depois da gente trocar umas referências, tipo “filha, o que é “attooxxa”?”, deu tudo certo. Fazer coisas juntos é massa.

– Quais são seus planos e do Borabaez para 2022?

Olhe mirmã, eu vou te ser sincera, 2021 deu carrinho nos planos. Então pra 2022, desembolar o EP que tamo na maior ansiedade pra mostrar, mas que decidimos modificar bastante coisa no processo, que acabou se alongando. Também estamos ensaiando alguns formatos diferentes de shows, que tamo na torcida pra vacinação seguir a todo vapor, e a gente poder botar pra circular em segurança!

Francesca Pera

Karola entrevista Francesca

– Como é pra você ter uma banda/empresa com o companheiro e pai de sua filha? Porque eu acho difícil…

Já foi mais difícil. É uma luta de aprimoramento pessoal 24h por dia. Nós brigamos bastante durante os processos, mas são desentendimentos momentâneos. Temos uma facilidade em não agarrar muito, perdoar e seguir. Da nossa crise e desconexão mais intensa até agora fizemos o EP Bad Vibes de Casal. A parte boa é que nosso desejo se sustenta na criação, na medida que temos projetos e caminhos para trilhar juntos. Estamos sempre inventando alguma coisa, treinando e batendo cabeça no longo caminho para encontrar generosidade e troca. Admiração pelo outro também ajudam a equilibrar essa equação.

– Seu processo artístico começou por onde? De onde saiu isso? Rs

Desde pequena gostava de escrever e tive uma introdução a musicalização na igreja evangélica, que foi onde iniciei o experimento de viver a emoção da música. Adulta longe da igreja e depois de sair do mestrado me aproximei de um grupo de compositores que tinha conhecido na faculdade, eles tinham uma banda chamada Pó de Ser Emoriô. Meu processo de composição surgiu colocando letras em músicas de outros compositores, nessa época eu já arriscava criar melodias para as músicas, mas não levava isso a sério. Conheci também o Ferdi a partir de parceria nas composições. Aí veio a vontade de assumir minhas músicas, de mergulhar em outras formas de criar, da descoberta de ser artista, do palco, da catarse. Me sinto sempre provocada. 

– Queria saber como é pra você ver hoje, como mulher na música, Pilarzinha, sua filha, compondo no freestyle dentro de casa e arrasando. Há 10 anos atrás imaginaria algo assim?

Nunca tinha imaginado que um dia iria fazer A Transe e nem que iria morar no Caparaó e nem que iria ter uma família. Hahahaha. Hoje sou tudo isso porque descobri meu desejo ao longo do caminho. Desde que entrei no universo da música e da composição não consegui mais largar. Pilar (nossa filha) tá vindo em versão ainda melhor, uma freestyler sinistra, só mandar a base que ela vai 4 minutos direto. É muita treta e amor ter família, fazer música, tentar ser mais itinerante tendo filhe. É doido demais, mas vale a pena. 

Ouça A Transe:

https://www.youtube.com/channel/UCPgO_oAbCfwaqV3oJ01jCKw

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